Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 568 | Maio de 2026 | Campo Mourão - Paraná

GERAÇÃO DE RENDA

geração de renda


Diversificar para fortalecer

Entre grãos, hortaliças e agroindústria, famílias cooperadas ampliam a renda, agregam valor à produção e fortalecem a permanência no campo

Agroindústria Familiar: Neusa Ferreira da Silva (Juranda - PR)

A diversificação das atividades tem ocupado espaço cada vez mais estratégico nas propriedades rurais, ampliando as fontes de renda, reduzindo riscos e criando alternativas para as famílias no campo. Além da produção de grãos, atividades como agroindústria familiar, horticultura e beneficiamento de alimentos passaram a integrar a rotina de muitas propriedades. A Coamo incentiva esse processo por meio de cursos, assistência técnica e capacitação voltada aos cooperados e familiares, estimulando alternativas econômicas que complementem a renda das famílias.

Em Juranda (Centro-Oeste do Paraná), a agroindústria familiar passou a dividir espaço com a atividade agrícola na propriedade da família Ferreira da Silva. Entre massas artesanais, geleias, conservas e produtos panificados, dona Neusa transformou uma atividade iniciada de forma doméstica em uma fonte complementar de renda construída ao longo de décadas.

Esposa do cooperado Alfredo Ferreira da Silva, dona Neusa mantém ligação com o campo desde a infância. Filha de produtores rurais, ela acompanhou as mudanças da agricultura na região, desde o período do algodão até a expansão da soja, do milho e da mecanização nas propriedades. “Eu nasci na roça. Meu pai era produtor rural, meu marido também, e eu trabalhei a vida inteira na agricultura”, conta.

O envolvimento com a produção de alimentos começou ainda nos anos 1980, inicialmente com receitas preparadas para familiares e conhecidos. A partir de 2008, a atividade passou a ter proporção comercial. Neusa participou de cursos voltados à agroindústria, panificação e processamento de alimentos promovidos pela Coamo, além de atuar na feira do produtor e no fornecimento para a merenda escolar. “Eu comecei a fazer cursos e fui me interessando. A equipe da Coamo incentivava a gente a produzir, vender e buscar alternativas. Foi aí que comecei a enxergar um caminho”, lembra.

Com o passar dos anos, a estrutura da agroindústria foi ampliada. O que começou em uma antiga garagem de madeira deu lugar a uma cozinha organizada para atender à produção de massas artesanais, conservas, geleias e panificados comercializados pela família. “Eu trabalhava em uma garagem antiga, muito simples. Depois consegui construir essa cozinha e organizar melhor a produção. Foi uma realização pessoal”, diz Neusa. Entre os produtos preparados atualmente, as massas artesanais ocupam posição de destaque, atividade que envolve desde o preparo da massa até o congelamento para comercialização. “Eu gosto muito de trabalhar com massas. Hoje faço talharim, massas congeladas e outros produtos. É uma atividade que exige dedicação, mas que me realiza”, pondera Neusa.

A agroindústria passou a contribuir para a manutenção das despesas da família e ampliar as possibilidades econômicas no meio rural. Dona Neusa mantém a rotina diária de produção e acompanha o crescimento da estrutura construída ao longo de décadas. “Foi um caminho trabalhoso, mas satisfatório. Eu me sinto realizada com o que construí”, resume.

O gerente da Coamo em Juranda, Sérgio Bertolla Junior, observa que a procura por cursos voltados às famílias cooperadas permanece constante nos entrepostos da cooperativa. Segundo ele, a participação demonstra o interesse dos produtores e familiares em desenvolver novas atividades dentro das propriedades. Ele ressalta que o exemplo da dona Neusa mostra como o acesso à capacitação pode gerar resultados ao longo do tempo. Entre os certificados guardados pela produtora há registros de cursos realizados ainda nas décadas de 1980 e 1990, incluindo treinamentos sobre indústrias caseiras. “Ela fez cursos lá em 1988, 1993, e hoje tem uma agroindústria estruturada dentro da propriedade. Isso mostra como o conhecimento adquirido naquele momento trouxe desenvolvimento e renda para a família”, destaca.

Para o gerente, a agroindústria representa uma alternativa de diversificação econômica que permite ampliar as fontes de receita sem deixar a atividade agrícola. “Essa estrutura que ela construiu gera uma renda complementar para a família. A lavoura tem seus custos, suas despesas e investimentos. A agroindústria ajuda a trazer mais segurança para o dia a dia da propriedade”, explica Bertolla.

Dona Neusa produzindo massas em Juranda (PR)

Neusa Ferreira da Silva, de Juranda (PR), trabalha com massas artesanais e outros produtos

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Dona Neusa com a família

Dona Neusa ao lado do marido Alfredo Ferreira da Silva e da nora Valdirene


Horticultura Comercial: Osmarlei Pereira da Silva (Marilândia do Sul - PR)

Em Marilândia do Sul (Norte do Paraná), a diversificação segue outro caminho dentro da propriedade da família Pereira da Silva. Entre áreas de soja, milho e cereais de inverno, a horticultura ocupa espaço importante no sistema produtivo mantido pela família há mais de quatro décadas. A atividade reúne produção, beneficiamento e comercialização de frutos, hortaliças e legumes, além de representar geração de renda e empregos na comunidade.

O trabalho começou ainda com o pai de Osmarlei Pereira da Silva. Após o afastamento dele por problemas de saúde, a família deu continuidade à atividade e ampliou o sistema de produção ao longo dos anos. Atualmente, a propriedade reúne diferentes culturas e mantém integração entre produção agrícola e horticultura. “Meu pai começou lá atrás e depois nós seguimos no ramo. Já são mais de 40 anos trabalhando com isso”, relata o cooperado.

Tomate e repolho estão entre as principais culturas da propriedade, além de áreas destinadas à cenoura, beterraba e outras hortaliças. Paralelamente, a família produz soja, milho, trigo, aveia, cevada e canola, em um sistema voltado à distribuição da renda ao longo do ano e à redução dos riscos da atividade agrícola. “A diversificação traz mais equilíbrio para a propriedade”, afirma Osmarlei.

Outra fonte de renda na propriedade está na produção de sementes de soja. Segundo Osmarlei, aproximadamente 90% da área destinada à soja é voltada à produção de sementes em parceria com a Coamo. “É uma parceria antiga e isso traz confiança para trabalhar com sementes e entregar a produção”, afirma.

O planejamento das atividades envolve irmãos, filho e sobrinho, que participam da divisão das funções e da organização do trabalho diário. “Cada um ajuda em uma parte e isso facilita o planejamento. A horticultura exige acompanhamento constante”, explica. A família também investe no beneficiamento das hortaliças antes da comercialização. Os produtos passam por seleção, limpeza e organização ainda na propriedade, chegando aos supermercados prontos para exposição nas bancas. “A mercadoria já sai selecionada. O mercado recebe o produto pronto para venda”, comenta.

A atividade também movimenta a geração de empregos na comunidade. Durante os ciclos de produção, cerca de 70 pessoas atuam nas atividades ligadas à horticultura, principalmente moradores da própria região. Somente na produção de tomate, a estimativa anual gira em torno de 100 mil caixas. O repolho também ocupa espaço importante na atividade, movimentando milhares de dúzias ao longo do ano.

O engenheiro agrônomo da Coamo em Marilândia do Sul, Luiz Alfredo Barros Urias, observa que a diversificação faz parte da tradição agrícola da região e segue presente mesmo com o crescimento da produção de grãos nos últimos anos. “A região sempre teve forte presença da horticultura. Mesmo com a valorização da soja, muitas famílias mantêm essa atividade”, afirma. Segundo Urias, o sistema contribui tanto para a renda das propriedades quanto para o abastecimento alimentar, além de favorecer o manejo agrícola. “O cooperado consegue ter renda com os grãos e com a horticultura. Se uma atividade não tem o resultado esperado, a outra ajuda a compensar”, explica.

Do ponto de vista técnico, ele destaca que a rotação entre hortaliças e culturas de grãos auxilia no manejo de solo, pragas e doenças, além de ampliar o aproveitamento das áreas produtivas. “Áreas que estavam com soja passam depois para repolho, cenoura ou beterraba. Isso ajuda no manejo agronômico e traz benefícios para o solo e para a produção agrícola”, observa o engenheiro agrônomo.

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Cooperado Osmarlei em Marilândia do Sul

Osmarlei Pereira da Silva, cooperado em Marilândia do Sul (PR)

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Processo de limpeza e separação na propriedade de Osmarlei

Processo de limpeza e separação é realizado na propriedade: Osmarlei com o filho Alfredo

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Osmarlei com técnicos da Coamo

Cooperado Osmarlei com o engenheiro agrônomo Luiz Alfredo Barros Urias e o gerente Jaime Vieira da Silva

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