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A diversificação das atividades tem ocupado espaço cada vez mais estratégico nas propriedades rurais, ampliando as fontes de renda, reduzindo riscos e criando alternativas para as famílias no campo. Além da produção de grãos, atividades como agroindústria familiar, horticultura e beneficiamento de alimentos passaram a integrar a rotina de muitas propriedades. A Coamo incentiva esse processo por meio de cursos, assistência técnica e capacitação voltada aos cooperados e familiares, estimulando alternativas econômicas que complementem a renda das famílias.
Em Juranda (Centro-Oeste do Paraná), a agroindústria familiar passou a dividir espaço com a atividade agrícola na propriedade da família Ferreira da Silva. Entre massas artesanais, geleias, conservas e produtos panificados, dona Neusa transformou uma atividade iniciada de forma doméstica em uma fonte complementar de renda construída ao longo de décadas.
Esposa do cooperado Alfredo Ferreira da Silva, dona Neusa mantém ligação com o campo desde a infância. Filha de produtores rurais, ela acompanhou as mudanças da agricultura na região, desde o período do algodão até a expansão da soja, do milho e da mecanização nas propriedades. “Eu nasci na roça. Meu pai era produtor rural, meu marido também, e eu trabalhei a vida inteira na agricultura”, conta.
O envolvimento com a produção de alimentos começou ainda nos anos 1980, inicialmente com receitas preparadas para familiares e conhecidos. A partir de 2008, a atividade passou a ter proporção comercial. Neusa participou de cursos voltados à agroindústria, panificação e processamento de alimentos promovidos pela Coamo, além de atuar na feira do produtor e no fornecimento para a merenda escolar. “Eu comecei a fazer cursos e fui me interessando. A equipe da Coamo incentivava a gente a produzir, vender e buscar alternativas. Foi aí que comecei a enxergar um caminho”, lembra.
Com o passar dos anos, a estrutura da agroindústria foi ampliada. O que começou em uma antiga garagem de madeira deu lugar a uma cozinha organizada para atender à produção de massas artesanais, conservas, geleias e panificados comercializados pela família. “Eu trabalhava em uma garagem antiga, muito simples. Depois consegui construir essa cozinha e organizar melhor a produção. Foi uma realização pessoal”, diz Neusa. Entre os produtos preparados atualmente, as massas artesanais ocupam posição de destaque, atividade que envolve desde o preparo da massa até o congelamento para comercialização. “Eu gosto muito de trabalhar com massas. Hoje faço talharim, massas congeladas e outros produtos. É uma atividade que exige dedicação, mas que me realiza”, pondera Neusa.
A agroindústria passou a contribuir para a manutenção das despesas da família e ampliar as possibilidades econômicas no meio rural. Dona Neusa mantém a rotina diária de produção e acompanha o crescimento da estrutura construída ao longo de décadas. “Foi um caminho trabalhoso, mas satisfatório. Eu me sinto realizada com o que construí”, resume.
O gerente da Coamo em Juranda, Sérgio Bertolla Junior, observa que a procura por cursos voltados às famílias cooperadas permanece constante nos entrepostos da cooperativa. Segundo ele, a participação demonstra o interesse dos produtores e familiares em desenvolver novas atividades dentro das propriedades. Ele ressalta que o exemplo da dona Neusa mostra como o acesso à capacitação pode gerar resultados ao longo do tempo. Entre os certificados guardados pela produtora há registros de cursos realizados ainda nas décadas de 1980 e 1990, incluindo treinamentos sobre indústrias caseiras. “Ela fez cursos lá em 1988, 1993, e hoje tem uma agroindústria estruturada dentro da propriedade. Isso mostra como o conhecimento adquirido naquele momento trouxe desenvolvimento e renda para a família”, destaca.
Para o gerente, a agroindústria representa uma alternativa de diversificação econômica que permite ampliar as fontes de receita sem deixar a atividade agrícola. “Essa estrutura que ela construiu gera uma renda complementar para a família. A lavoura tem seus custos, suas despesas e investimentos. A agroindústria ajuda a trazer mais segurança para o dia a dia da propriedade”, explica Bertolla.
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Neusa Ferreira da Silva, de Juranda (PR), trabalha com massas artesanais e outros produtos
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Dona Neusa ao lado do marido Alfredo Ferreira da Silva e da nora Valdirene
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