Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 568 | Maio de 2026 | Campo Mourão - Paraná

SISTEMA DE PRODUÇÃO

sistema de produção


Integração lavoura-pecuária impulsiona produtividade e diversifica renda no campo

Adotada por um número crescente de cooperados, sistema combina o cultivo de grãos com a criação de animais na mesma área ao longo do ano

Campo de integração lavoura-pecuária da Coamo

A integração lavoura-pecuária (ILP) vem se consolidando como uma das principais estratégias para elevar a eficiência produtiva no meio rural, sobretudo em regiões sujeitas à variabilidade climática. Em áreas como Campo Mourão, Janiópolis e Manoel Ribas, no Paraná, o sistema tem proporcionado melhor aproveitamento do solo, diversificação de receitas e maior adaptabilidade das propriedades.

Adotada por um número crescente de cooperados da Coamo, a ILP combina, de forma planejada, o cultivo de grãos com a criação de animais, principalmente bovinos de corte e de leite, na mesma área ao longo do ano. O modelo promove a intensificação sustentável do uso da terra, sem abrir mão da conservação dos recursos naturais.

Um dos principais polos de desenvolvimento desse sistema é a Fazenda Experimental da Coamo, em Campo Mourão. A unidade tem papel estratégico na geração e validação de tecnologias voltadas aos cooperados.

Segundo o engenheiro agrônomo e analista de Suporte Técnico da Coamo, Vinicius Francisco Albarello, a fazenda atua como um laboratório a céu aberto. “Nosso objetivo é produzir conhecimento aplicado, tanto para o quadro técnico quanto para os cooperados. A integração lavoura-pecuária permite um uso mais eficiente do solo, com aumento de produtividade aliado à sustentabilidade”, destaca.

Na prática, os ensaios conduzidos na unidade envolvem o cultivo de culturas anuais no verão e a utilização de pastagens no inverno, com manejo de bovinos de corte. A experiência com ILP na Fazenda Experimental se estende por mais de 25 anos. Ao longo desse período, diferentes espécies foram testadas, como trigo forrageiro, braquiária e outras culturas de cobertura. De acordo com o agrônomo, o sistema atual contribui significativamente para a manutenção da qualidade do solo. “O consórcio garante excelente cobertura vegetal, favorece a ciclagem de nutrientes e preserva a matéria orgânica. É fundamental que o uso de animais não comprometa os benefícios do plantio direto. O solo precisa ser sempre tratado como nosso principal patrimônio”, reforça Albarello.

Para os produtores que adotam o sistema, os ganhos são percebidos em diferentes frentes. “É uma relação de ganha-ganha, tanto para os animais quanto para o cooperado”, resume Albarello. Ele ressalta, no entanto, que a adoção da ILP exige planejamento e acompanhamento técnico. “A orientação de agrônomos e veterinários é essencial para a escolha das espécies, definição da taxa de lotação e manejo adequado do rebanho.”

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Vinicius Albarello, analista de Suporte Técnico da Coamo

Vinicius Albarello
Analista de Suporte Técnico na Fazenda Experimental da Coamo

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Visita técnica na propriedade de Mauro Endo

Fernando Negrini, engenheiro agrônomo, Mauro Endo, cooperado, e Vânia Colli, médica veterinária

Na propriedade do cooperado Mauro Hideyuki Endo, em Janiópolis, no Centro-Oeste do Paraná, a integração surgiu como alternativa para manter a produtividade ao longo do ano. Segundo ele, o sistema permite utilizar áreas de lavoura no inverno, período em que as pastagens perenes apresentam queda de produção. “A gente aproveita essas áreas para fazer a integração, rotacionando com culturas como aveia, que também pode ser utilizada como grão para suplementação do gado”, explica.

Entre os principais benefícios observados estão a redução de custos com alimentação animal e a melhoria da qualidade do solo. “Depois do pastejo, o terreno fica com mais matéria orgânica, o que favorece a próxima cultura. Além disso, diminui a presença de plantas invasoras”, destaca o cooperado. Mesmo diante de desafios climáticos, como geadas e períodos de seca, ele avalia o sistema como positivo no longo prazo.

O suporte técnico também é apontado como fator essencial. Endo relata que contou com acompanhamento desde o início da atividade agrícola. “Eu não tinha experiência com lavoura. Tive muito apoio da equipe técnica, que orientou todo o processo”, afirma Endo.

O engenheiro agrônomo Fernando Daniel Negrini, que presta assistência à propriedade, reforça que a integração vai além do ganho produtivo. “O sistema proporciona ciclagem de nutrientes, melhora da microbiota do solo, maior infiltração de água e redução de erosão. Além disso, cria uma alternativa econômica, especialmente em anos de estiagem”, explica.

Na fazenda, o planejamento envolve rotação entre soja no verão, milho safrinha e culturas de cobertura no inverno, como aveia, braquiária e milheto. “Esse manejo permite equilíbrio entre produção agrícola e pecuária, garantindo retorno financeiro e sustentabilidade”, afirma o agrônomo.

Na área veterinária, a integração também traz benefícios importantes. A médica veterinária Vânia Colli destaca que o sistema funciona como suporte alimentar em períodos críticos. “Em momentos de escassez de pastagem, principalmente na transição entre estações, a integração garante oferta de forragem e mantém o desempenho dos animais”. Segundo ela, a propriedade trabalha com ciclo completo (cria, recria e engorda) e utiliza estratégias como inseminação artificial e confinamento. “A integração permite produzir mais alimento em menos área e por mais tempo, o que impacta diretamente nos resultados da pecuária”, completa.

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Cooperado Mauro Hideyuki Endo

Mauro Hideyuki Endo, de Janiópolis (PR): cooperado adota o sistema como alternativa para manter o sistema produtivo ao longo do ano


Caso de Sucesso: Família Andreoli (Manoel Ribas - PR)

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Pedro e Carlos Andreoli com técnicos no pasto
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Irmãos Pedro e Carlos Andreoli analisam pastagem com o técnico agropecuário Tcharles David de Lima e o engenheiro agrônomo Rodrigo Luiz da Silva Dutra

Em Manoel Ribas, no Centro-Norte do Paraná, a família Andreoli também aposta no sistema, com planejamento de longo prazo. De acordo com o cooperado Carlos Wilson Willemann Andreoli, a integração é definida em conjunto com a assistência técnica. “É um planejamento de três a quatro anos, que define quais áreas serão utilizadas para cada atividade”, explica.

Pedro Henrique, irmão de Carlos, relata que o trabalho é dividido entre os membros da família, unindo experiência e inovação. “As decisões são em conjunto. Meu irmão atua mais na operação e nosso pai na parte administrativa.” Para ele, a principal vantagem está na rentabilidade. “Hoje, vimos que na nossa propriedade, a integração é mais vantajosa que o trigo no inverno. Além disso, melhora o solo e ainda fornece alimento para o gado.” A família também observa aumento de produtividade nas áreas integradas, com ganhos de até cinco sacas por alqueire.

A parceria com a assistência técnica é considerada fundamental. “É uma via de mão dupla. A gente aprende com os técnicos e eles entendem melhor a realidade da propriedade, trazendo tecnologias e novidades para ambas as atividades”, destaca Carlos Andreoli.

O técnico agropecuário Tcharles David de Lima explica que, na propriedade, a integração é essencial principalmente no período reprodutivo do rebanho. “As vacas entram na fase final de gestação com mais exigência nutricional, e o sistema garante melhor condição corporal e desempenho dos bezerros”.

Já o engenheiro agrônomo Rodrigo Luiz da Silva Dutra ressalta que o modelo contribui para a estabilidade econômica da propriedade. “Mesmo sem aumento direto de produtividade em algumas culturas, não há perdas. E a rentabilidade no inverno melhora significativamente com a presença do gado”, explica Dutra.

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Propriedade da Família Andreoli em Manoel Ribas (PR)

Com resultados consistentes em diferentes propriedades, a integração lavoura-pecuária se mostra uma alternativa viável e sustentável para a atividade agropecuária

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