Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 568 | Maio de 2026 | Campo Mourão - Paraná

ENTREVISTA

entrevista


Tania Zanella

Presidente Executiva do Sistema OCB

“Buscamos soluções para fortalecer o Sistema OCB e ampliar o impacto positivo das cooperativas no Brasil.”

Durante a 28ª Assembleia Geral Extraordinária do Sistema OCB, em Brasília, foi homologada a indicação de Tania Zanella para o cargo de presidente Executiva da organização. É a primeira vez que esse cargo é ocupado por uma mulher. Ela destaca a responsabilidade da função e afirma que pretende conduzir a gestão com diálogo e foco em resultados para as cooperativas.

O mandato da diretoria eleita em 2024 irá até 2028, dentro de um contexto de modernização da estrutura institucional do Sistema OCB. Na mesma assembleia, foi aprovada a divisão entre a gestão operacional e a função estratégica de representação. Nesta configuração, o então presidente Executivo, Márcio Lopes de Freitas, ocupa agora o cargo de presidente do Conselho de Administração, com foco na atuação institucional e política.

Revista Coamo: A senhora é pioneira, já foi superintendente, gerente de Relações Institucionais e gerente-geral do Sistema OCB, e agora a primeira mulher a ser presidente Executiva da instituição. Quais desafios precisam ser enfrentados?

Tania Zanella: Assumir a presidência executiva do Sistema OCB representa, para mim, um reconhecimento institucional construído ao longo de muitos anos de atuação técnica, diálogo político e compromisso com o cooperativismo. Mais do que um marco pessoal, esse momento simboliza a capacidade do Sistema de evoluir, valorizar trajetórias e abrir espaço para uma liderança baseada em competência, visão estratégica e resultados. Nos últimos anos, avançamos de forma consistente na ampliação da presença feminina em cargos de gestão no cooperativismo. Hoje, vemos mais mulheres liderando cooperativas, integrando Conselhos de Administração, participando de comitês estratégicos e ocupando posições executivas. Esses avanços são fruto de investimento em formação, estímulo à liderança e, sobretudo, de uma mudança gradual de cultura. Ainda assim, os desafios persistem. Precisamos continuar enfrentando desigualdades estruturais, ampliar o acesso das mulheres às instâncias de decisão, fortalecer políticas de sucessão e garantir ambientes organizacionais cada vez mais inclusivos. O cooperativismo tem uma base sólida para isso, pois seus princípios de democracia, equidade e participação podem e devem se refletir, cada vez mais, na prática.

RC: O Sistema OCB já tem trabalhos relevantes destinados às mulheres, a exemplo do Comitê Elas pelo Coop e da formação de lideranças por meio da plataforma Capacita Coop. O que esse público pode esperar da próxima gestão?

Tania: Essa agenda será mantida, ampliada e integrada de forma ainda mais estratégica. O Comitê Elas pelo Coop seguirá como um espaço essencial de articulação, escuta e proposição, com mais conexão às agendas de governança, representação institucional e desenvolvimento das cooperativas. Da mesma forma, a formação oferecida pela CapacitaCoop continuará sendo aprimorada e valorizada, com trilhas alinhadas aos desafios reais da gestão, da liderança e da inovação. As mulheres podem esperar uma atuação mais transversal, que una formação, visibilidade, estímulo à ocupação de cargos estratégicos e reconhecimento do papel fundamental que exercem no fortalecimento do cooperativismo brasileiro.

RC: Sua gestão marca uma mudança importante na estrutura de governança do Sistema OCB, a partir da reforma estatutária que reforça o modelo dual de governança, separando as funções estratégicas do Conselho de Administração das responsabilidades executivas. Na prática, o que representa esse novo modelo?

Tania: A governança dual traz mais clareza de papéis, equilíbrio entre estratégia e execução, além de mais transparência e eficiência nos processos decisórios. O Conselho de Administração passa a concentrar-se nas diretrizes estratégicas, enquanto a presidência executiva assume a responsabilidade plena pela implementação dessas decisões. Isso fortalece a capacidade do Sistema OCB de planejar no longo prazo, responder com mais agilidade às demandas do setor e aprimorar a prestação de contas às cooperativas. É um modelo alinhado às melhores práticas de governança e que prepara a organização para um ambiente cada vez mais complexo e dinâmico. Ressalto, ainda, que o trabalho desenvolvido até aqui terá continuidade, sem nenhum tipo de ruptura.

Tania Zanella, Presidente Executiva do Sistema OCB

Natural de Ipumirim (SC), Tania Zanella tem formação em Direito e especializações na área. Sua carreira inclui atuação como assessora parlamentar, analista e gerente da OCB. Desde 2021, ocupava o cargo de superintendente. Em 2025, tomou posse como presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA). Sua trajetória profissional já rendeu alguns reconhecimentos. Ela está na lista das “100 Mulheres Mais Poderosas do Agronegócio”, da Forbes, e recebeu do Sistema Ocemg, em 2024, a Medalha do Mérito Cooperativista Paulo de Souza Lima.


“Vivemos um momento estratégico para o cooperativismo brasileiro. Temos um modelo econômico sólido, alinhado às demandas da sociedade.”

RC: O Plano de Trabalho da OCB para 2026 inclui ações como a ampliação do Programa de Educação Política. Quais as ações previstas para o ano, principalmente tendo em vista o processo eleitoral?

Tania: A educação política é uma prioridade estratégica e nosso programa vem ganhando cada vez mais força ao longo dos anos. Em 2026, nosso objetivo é ampliar ações de formação, produção de conteúdos, encontros regionais e materiais orientativos voltados a lideranças, dirigentes e cooperados, com foco na compreensão sobre o funcionamento do sistema político, do processo eleitoral e do papel institucional do cooperativismo. O objetivo é fortalecer uma atuação ética, técnica e apartidária, qualificando o diálogo com os tomadores de decisão e preparando o cooperativismo para defender suas pautas de forma consistente, responsável e propositiva.

RC: Quais outras prioridades você elencaria para a gestão?

Tania: Entre as prioridades da gestão está o fortalecimento contínuo da representação institucional do cooperativismo, com atuação técnica, articulada e estratégica nos temas que impactam diretamente o setor. Nesse contexto, o acompanhamento da Reforma Tributária será uma frente permanente de trabalho. Trata-se de uma das transformações estruturais mais relevantes do país e o Sistema OCB atuará para garantir segurança jurídica, previsibilidade e o adequado reconhecimento das especificidades do modelo cooperativista, especialmente a preservação do ato cooperativo, tanto na regulamentação quanto na implementação do novo sistema. Outra prioridade é a modernização dos instrumentos de apoio às cooperativas, com foco em eficiência, inovação e competitividade. Isso envolve educação cooperativista, transformação digital, estímulo à intercooperação e apoio às cooperativas diante de um ambiente regulatório e econômico cada vez mais complexo. Nesse conjunto de ações, o aprofundamento do Programa CulturaCoop ocupa papel estratégico. Ele será fortalecido como eixo transversal, conectando valores, princípios e identidade cooperativista à governança, à gestão, à comunicação e à formação de lideranças. Uma cultura cooperativista sólida é essencial para a perenidade das organizações e para o engajamento dos cooperados.

RC: No que diz respeito ao fortalecimento da imagem pública do setor, quais caminhos ainda podem ser percorridos pela instituição?

Tania: O fortalecimento da imagem pública do cooperativismo passa por uma comunicação estratégica, consistente e conectada com a sociedade. Precisamos ampliar o reconhecimento do modelo cooperativista como uma escolha concreta, moderna e competitiva, capaz de gerar desenvolvimento econômico com inclusão social e sustentabilidade. Nesse sentido, a Campanha SomosCoop 2026 será um dos principais vetores dessa estratégia. A iniciativa marca uma evolução na comunicação ao convidar a sociedade a reconhecer, confiar e optar por produtos e serviços de cooperativas, além de reforçar o carimbo SomosCoop como sinal de qualidade, credibilidade e impacto positivo. A campanha amplia o diálogo com o público, fortalece a presença do cooperativismo nos meios de comunicação de massa e aproxima o setor do cotidiano das pessoas. Além disso, seguiremos investindo no relacionamento com a imprensa, na presença digital qualificada, na valorização de histórias reais e no uso de dados concretos para demonstrar o impacto do cooperativismo na vida dos brasileiros.

“Buscamos soluções que fortaleçam o Sistema OCB e ampliem o impacto positivo das cooperativas no Brasil. O cooperativismo vai seguir como protagonista no desenvolvimento econômico, social e ambiental do país.”

RC: Como será o trabalho com a base, para reforçar as prioridades do Plano de Trabalho da OCB e engajar os cooperados?

Tania: O trabalho com a base será contínuo, próximo e colaborativo. Vamos intensificar a escuta ativa das cooperativas e das organizações estaduais, compartilhar diretrizes estratégicas e alinhar ações de forma conjunta, respeitando as realidades regionais e setoriais. O engajamento dos cooperados é fundamental para transformar o Plano de Trabalho em resultados concretos. Isso exige diálogo permanente, transparência e clareza de objetivos, reforçando o sentimento de pertencimento ao Sistema.

RC: A senhora preside o Instituto Pensar Agropecuária (IPA), que reúne 59 entidades na defesa do setor e assessora tecnicamente a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Congresso Nacional. Em 2025, os focos do trabalho foram a sustentabilidade, o financiamento e o mercado internacional. Que resultados destaca nesses três aspectos?

Tania: À frente do Instituto Pensar Agropecuária, avançamos de forma consistente em agendas estruturantes. Na sustentabilidade, contribuímos para qualificar o debate público, valorizando práticas produtivas responsáveis, segurança jurídica e o papel do produtor brasileiro. No financiamento, fortalecemos o diálogo sobre crédito, políticas públicas e instrumentos financeiros mais adequados à realidade do setor produtivo. Já no mercado internacional, ampliamos a articulação institucional para enfrentar barreiras, abrir mercados e reforçar a competitividade do agro brasileiro, sempre em estreita cooperação com a Frente Parlamentar da Agropecuária.

RC: Qual é o momento do cooperativismo brasileiro?

Tania: Vivemos um momento estratégico para o cooperativismo brasileiro. Temos um modelo econômico sólido, alinhado às demandas da sociedade e com enorme capacidade de gerar desenvolvimento com inclusão. Nosso trabalho continuará sendo guiado pelo diálogo, pela escuta ativa e pela busca constante de soluções que fortaleçam o Sistema OCB e ampliem o impacto positivo das cooperativas no Brasil. O cooperativismo tem tudo para seguir como protagonista no desenvolvimento econômico, social e ambiental do país.

Fonte: Paraná Cooperativo Ocepar

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Tania Zanella discursando no Sistema OCB

Tania Zanella
Presidente Executiva do Sistema OCB

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