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Na Fazenda Boa Esperança, em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, a família Santiago mantém viva uma tradição: o plantio do trigo. Tudo começou em 1980 com o casal de cooperados Valtenir e Lúcia, apaixonados pela cultura. Eles ainda participam do trabalho na propriedade, mas agora, com o apoio dos filhos também associados Valtenir Júlio, Patrícia e Ricardo. “O trigo sempre fez parte da nossa história. Cresci acompanhando meu pai na lavoura e essa cultura continua presente em nossa vida”, relata o filho e cooperado Valtenir Julio.
Além de uma alternativa produtiva, o trigo carrega um valor simbólico para a família. “É uma das lavouras mais bonitas. Como diz meu pai, é uma cultura que enche os olhos. Você acorda cedo e vê o trigo branquinho de orvalho. É gratificante”, ressalta Valtenir Julio.
Os Santiago iniciaram o plantio de 120 alqueires do cereal no início de maio e a expectativa é positiva. A propriedade tem apresentado bons resultados, com médias que variam entre 150 e 170 sacas por alqueire em anos favoráveis. “Graças a Deus nossa área é abençoada para produção de trigo. O principal desafio é produzir. Não nos atemos muito às médias. O trigo vem acompanhado de um ganho que vai além disso”, considera o cooperado.
Apesar do histórico de bons resultados, Valtenir Julio reconhece os desafios e revela que há três anos passaram por uma safra complicada. “A gente plantou e deu seca do começo ao fim da colheita, aí tivemos que acionar o seguro. Mas, no ano passado e no ano retrasado já deu uma melhora na produtividade. A gente planta sem saber como vai ser lá na frente. Tem que ter fé”, destaca.
A região onde fica a propriedade é apta para a triticultura. Tem altitude e temperatura amena, acompanhadas de alto nível tecnológico e gestão, pilares do trabalho desempenhado pela família Santiago. “Eles utilizam agricultura de precisão, seguem todas as recomendações técnicas e fazem um manejo bem planejado. Isso garante estabilidade de produção ao longo dos anos. O seu Valtenir é uma pessoa preocupada, registra todos os dados pluviométricos, por exemplo, e no alto dos seus 73 anos opera drone”, elogia o engenheiro agrônomo, Fernando Negrini.
A rotação de culturas é o segredo da Fazenda Boa Esperança. “A rotação não traz só benefício econômico, melhora o solo, reduz a pressão de pragas e contribui para a sustentabilidade da propriedade. Na safra atual, a família atua como multiplicadora de sementes para a cooperativa, reforçando a importância da atividade dentro do sistema produtivo”, reforça Negrini.
O engenheiro agrônomo ainda destaca que a rotação de culturas não traz só um benefício econômico para a cultura de verão ou para a própria cobertura. “Esse sistema permite a rotação de mecanismos de herbicida, de ciclagem de nutrientes. Você tem um cuidado melhor com erosão e utiliza uma cultivar que preenche mais o solo. Como aqui é feita a rotação, ou seja, não é no mesmo lote que se cultiva o trigo, pois eles têm outros talhões rotacionados com o milho segundo safra, pensando sempre no benefício como um todo. Isso tem refletido positivamente nas médias que estão estáveis.”
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Engenheiro agrônomo Fernando Negrini acompanha o plantio de trigo com a família Santiago, em Campo Mourão (PR)
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Pietro ao lado do tio Valtenir Júlio e da mãe Patrícia
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