Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 568 | Maio de 2026 | Campo Mourão - Paraná

SAFRA DE INVERNO

safra de inverno


Tradição e paixão pelo trigo

Cooperados da Coamo iniciaram o plantio no início de maio. A cultura contribui para o sistema produtivo e traz ganhos para o solo a longo prazo

Lavoura de trigo da Coamo em Campo Mourão (PR)

Na Fazenda Boa Esperança, em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, a família Santiago mantém viva uma tradição: o plantio do trigo. Tudo começou em 1980 com o casal de cooperados Valtenir e Lúcia, apaixonados pela cultura. Eles ainda participam do trabalho na propriedade, mas agora, com o apoio dos filhos também associados Valtenir Júlio, Patrícia e Ricardo. “O trigo sempre fez parte da nossa história. Cresci acompanhando meu pai na lavoura e essa cultura continua presente em nossa vida”, relata o filho e cooperado Valtenir Julio.

Além de uma alternativa produtiva, o trigo carrega um valor simbólico para a família. “É uma das lavouras mais bonitas. Como diz meu pai, é uma cultura que enche os olhos. Você acorda cedo e vê o trigo branquinho de orvalho. É gratificante”, ressalta Valtenir Julio.

Os Santiago iniciaram o plantio de 120 alqueires do cereal no início de maio e a expectativa é positiva. A propriedade tem apresentado bons resultados, com médias que variam entre 150 e 170 sacas por alqueire em anos favoráveis. “Graças a Deus nossa área é abençoada para produção de trigo. O principal desafio é produzir. Não nos atemos muito às médias. O trigo vem acompanhado de um ganho que vai além disso”, considera o cooperado.

Apesar do histórico de bons resultados, Valtenir Julio reconhece os desafios e revela que há três anos passaram por uma safra complicada. “A gente plantou e deu seca do começo ao fim da colheita, aí tivemos que acionar o seguro. Mas, no ano passado e no ano retrasado já deu uma melhora na produtividade. A gente planta sem saber como vai ser lá na frente. Tem que ter fé”, destaca.

A região onde fica a propriedade é apta para a triticultura. Tem altitude e temperatura amena, acompanhadas de alto nível tecnológico e gestão, pilares do trabalho desempenhado pela família Santiago. “Eles utilizam agricultura de precisão, seguem todas as recomendações técnicas e fazem um manejo bem planejado. Isso garante estabilidade de produção ao longo dos anos. O seu Valtenir é uma pessoa preocupada, registra todos os dados pluviométricos, por exemplo, e no alto dos seus 73 anos opera drone”, elogia o engenheiro agrônomo, Fernando Negrini.

A rotação de culturas é o segredo da Fazenda Boa Esperança. “A rotação não traz só benefício econômico, melhora o solo, reduz a pressão de pragas e contribui para a sustentabilidade da propriedade. Na safra atual, a família atua como multiplicadora de sementes para a cooperativa, reforçando a importância da atividade dentro do sistema produtivo”, reforça Negrini.

O engenheiro agrônomo ainda destaca que a rotação de culturas não traz só um benefício econômico para a cultura de verão ou para a própria cobertura. “Esse sistema permite a rotação de mecanismos de herbicida, de ciclagem de nutrientes. Você tem um cuidado melhor com erosão e utiliza uma cultivar que preenche mais o solo. Como aqui é feita a rotação, ou seja, não é no mesmo lote que se cultiva o trigo, pois eles têm outros talhões rotacionados com o milho segundo safra, pensando sempre no benefício como um todo. Isso tem refletido positivamente nas médias que estão estáveis.”

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Família Santiago e engenheiro Negrini na lavoura

Engenheiro agrônomo Fernando Negrini acompanha o plantio de trigo com a família Santiago, em Campo Mourão (PR)

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Pietro com o tio Valtenir e a mãe Patrícia

Pietro ao lado do tio Valtenir Júlio e da mãe Patrícia


Alternativa Técnica e Estratégica

Se para alguns produtores o trigo representa uma paixão, para outros é uma alternativa que entra no planejamento técnico. É o caso da cooperada Helen Karolyne da Cruz Paschoeto, também de Campo Mourão, que vivencia a primeira safra de trigo como responsável direta pela atividade na Fazenda Cachoeira. Ela plantou o cereal em toda a área. “Acabei escolhendo o trigo esse ano porque na safra de verão perdi toda a soja com granizo e tive que replantar. Com esse atraso, perdemos a janela do milho safrinha e o risco de pegar geada lá na frente seria muito grande”, explica.

Segundo Helen, o trigo é uma excelente opção para o inverno na sua área. “É uma região que faz frio, mas não tem tanta tendência de ter geada. Financeiramente o trigo pode não ser tão bom quanto o milho safrinha, mas ele ainda dá um bom resultado.”

A cooperada trabalhava com os irmãos desde 2018, após o falecimento do pai. Em 2024, passou a tocar sozinha e desde a mudança é a primeira safra em que planta trigo como responsável direta. “Nos dois anos anteriores, a gente conseguiu plantar o milho safrinha. Esse ano é mais o aprendizado, pois apesar de já ter tocado o trigo com a família, é a primeira safra que eu estou à frente.”

Apesar de ter sido uma decisão estratégica, essa é uma alternativa que Helen pretende manter na propriedade. “A rotação favorece o solo, reduz a pressão das pragas e doenças, além de eu não colocar todos os ovos na mesma cesta. Se eu dividir a área em dois, uma área eu faço, por exemplo, soja, na outra milho verão, e rotaciono uma área com milho safrinha e outra com trigo. Pode ser que um ano a soja produza mais, em outro o milho. Mas pode dar um problema no trigo ou um problema no milho safrinha. É um investimento a céu aberto e, assim, sempre terei uma alternativa para manter o lucro estável.”

Este é o quarto ciclo que Helen mapeia por meio da agricultura de precisão. O solo dela foi preparado com o ph e níveis adequados de nutrientes para o plantio. “A cooperada plantou variedades de alto teto produtivo e o controle de planta daninha foi muito bem-feito. Também plantou no limpo e com alto nível de fertilidade, porque apesar do solo corrigido, o trigo é uma gramínea e é muito responsivo. Então a gente prioriza uma adubação, uma fertilização muito boa no trigo e a gente pode economizar um pouquinho na soja que vai vir pós-colheita de trigo”, afirma o engenheiro agrônomo, Roberto Bueno. O trigo plantado na propriedade será colhido em meados de setembro. “A expectativa é colher por volta de 10 a 15 de setembro e já começar a plantar pelo menos um talhão de soja.”

Bueno elogia a atuação de Helen à frente da propriedade. “Ela tem formação em agronomia, com uma base muito boa da parte teórica e está pegando muito bem a parte prática. Ela compreende que muitas tecnologias demandam de médio e longo prazo para o produtor ter resultado, e um exemplo é a rotação de culturas. Então aqui é mais fácil para nós da área técnica, porque ela entende bem isso e acata bastante as orientações.”

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Cooperada Helen Paschoeto

Cooperada Helen Paschoeto de Campo Mourão (PR)

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Helen Paschoeto e o engenheiro agrônomo Roberto Bueno

Cooperada Helen Paschoeto com o engenheiro agrônomo Roberto Bueno

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