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Em Manoel Ribas, Centro-Norte do Paraná, o milho segunda safra passou a integrar o planejamento de
propriedades tradicionalmente voltadas ao trigo. O cooperado Sérgio Romagnolo iniciou o cultivo há
cerca de quatro anos, em 16 alqueires, e atualmente destina perto de 70 alqueires ao milho.
A mudança foi favorecida pela utilização de cultivares de soja mais precoces, que antecipam a colheita
e ampliam a janela para implantação do milho em uma região de clima mais frio. "Começamos a colher a
soja até o início de fevereiro e, com isso, conseguimos entrar com o milho. É uma opção a mais para o
sistema de produção", relata Romagnolo.
Além do resultado econômico, a escolha considera a rotação de culturas. "Quando as duas culturas
produzem bem, a rentabilidade fica mais ou menos igual. Além disso, o milho ajuda a mudar o sistema de
produção", explica.
A produtividade média do milho ficou entre 270 e 280 sacas por alqueire. O resultado, segundo
Romagnolo, está próximo do observado em outros anos. Para os próximos ciclos, ele considera ampliar a
área de milho, mas a decisão dependerá de fatores como clima, preços, custos e condições de
comercialização. "A tendência para o próximo ano é aumentar um pouco mais. Mas, vamos avaliando a cada
safra", observa.
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O clima é um dos principais pontos de atenção para a cultura na região. Geadas e ventos podem
comprometer as plantas. Na safra anterior, Romagnolo teve perdas provocadas por ventos e, neste ciclo,
antecipou parte da colheita diante do risco de novas ocorrências, mesmo com o milho apresentando maior
umidade.
De acordo com o engenheiro agrônomo, Rodrigo Luiz da Silva Dutra, da Coamo em Manoel Ribas, a área de
milho segunda safra acompanhada pela unidade passou de pouco mais de quatro mil hectares na safra 2024
para mais de dez mil hectares na safra 2026. "O trigo ainda é a principal cultura da região, porque
estamos em uma área de altitude e com clima mais frio. Porém, o milho passou a ser uma opção de
cultivo que ganhou espaço nas últimas safras", explica Dutra.
Além de ampliar as opções econômicas, a inclusão do milho modifica a sucessão tradicional de soja e
trigo. A utilização de outra espécie e de um sistema radicular diferente contribui para a rotação de
culturas, embora exija atenção ao manejo das plantas daninhas após a colheita. "O milho segunda safra
quebra uma sucessão que, muitas vezes, era formada apenas por trigo e soja. A soja que vem depois
encontra um solo trabalhado por uma cultura com sistema radicular diferente", explica Dutra. Segundo
ele, o manejo precisa acompanhar essa mudança. "Com a rotação, também aparecem outras plantas daninhas
no pós-milho, e é preciso ter atenção para que não prejudiquem a produtividade da soja", ressalta.
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