Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 571 | Agosto de 2026 | Campo Mourão - Paraná

COLHEITA E ARMAZENAGEM

colheita e armazenagem


Colheitadeira despeja milho em caminhão graneleiro durante a colheita da segunda safra

Expectativa é receber 69 milhões de sacas de milho nesta safra. Cenário amplia a demanda por recebimento, secagem e armazenagem e mobiliza investimentos da Coamo para acompanhar o crescimento da cultura

Milho segunda safra ganha espaço e exige investimentos

Expansão da produção de milho amplia o volume recebido e impulsiona investimentos da Coamo

A colheita do milho segunda safra estava em 90% da área colhida - até o fechamento desta edição - nas regiões de atuação da Coamo, em um ciclo marcado pela concentração do volume e pela maior umidade do produto recebido. O atraso no plantio da soja em algumas áreas prolongou o calendário do milho, enquanto as chuvas registradas durante o período também contribuíram para elevar a umidade. A Coamo prevê receber 69 milhões de sacas nesta safra.

Segundo o diretor de Logística e Operações da Coamo, Edenilson Carlos de Oliveira, o principal desafio está na umidade do milho. Com a colheita mais tardia, o produto permaneceu mais tempo no campo e chegou às unidades com índices superiores aos observados nos últimos anos. Como consequência, o tempo necessário para a secagem aumentou e reduziu a capacidade de processamento dos equipamentos.

Um secador com capacidade de 100 toneladas por hora, por exemplo, pode operar nessa capacidade com milho a aproximadamente 18% de umidade. Com 22%, o processamento pode cair para cerca de 50 toneladas por hora e, com 26%, para aproximadamente 33 toneladas. "Quanto maior a umidade, mais tempo necessário para a secagem. Isso interfere diretamente na capacidade de recebimento", explica Oliveira.

Ele cita que situações de maior concentração de produto e umidade já ocorreram em safras anteriores e exigiram ajustes na operação. Os investimentos realizados ao longo dos anos ampliaram as alternativas de recebimento e armazenagem. Em Campo Mourão, está prevista para a próxima safra de inverno uma nova estrutura de recebimento de milho na área industrial, junto à indústria de soja e separada da operação de etanol. "Temos vários investimentos programados para acompanhar o ritmo do cooperado e adequar a estrutura às necessidades do recebimento", diz Oliveira.

A concentração do milho também é resultado da opção de plantio dos produtores. Segundo o presidente do Conselho de Administração da Coamo, José Aroldo Gallassini, a redução da área de trigo e o aumento do milho contribuíram para elevar o volume recebido. Ele revela que, atualmente, a Coamo possui aproximadamente 36 milhões de sacas de soja de safras anteriores. No milho, o estoque chegou a cerca de 41 milhões de sacas, enquanto a colheita segue avançando.

Para distribuir esse volume, a cooperativa utiliza as estruturas disponíveis e direciona parte da produção para regiões que não possuem milho segunda safra e contam com capacidade de armazenagem. "Estamos fazendo tudo o que é possível para que o cooperado entregue o milho o mais rapidamente possível", relata Gallassini.

A concentração da colheita em diferentes municípios aumenta a demanda sobre as unidades ao mesmo tempo. O inverno, com menor incidência de sol e maior umidade, também dificulta a secagem. "Todo mundo está colhendo praticamente na mesma hora. Além do volume, temos um inverno com pouco sol e muita umidade, o que faz com que o milho não seque rapidamente. Isso acaba aumentando o tempo de espera", observa Gallassini.

Osmar Alves da Silva joga milho colhido com as mãos em cima do caminhão

Osmar Alves da Silva acompanha evolução das lavouras de milho e valoriza novos investimentos da Coamo na unidade de Peabiru (PR)

A produtividade elevada em algumas propriedades amplia ainda mais o volume recebido. Há lavouras de segunda safra registrando entre 360 e 400 sacas por alqueire, especialmente em áreas semeadas dentro de uma janela favorável.

Em Peabiru, Centro-Oeste do Paraná, o cooperado Osmar Alves da Silva cultivou 52 alqueires de milho segunda safra e alcançou 335 sacas por alqueire. O plantio ocorreu entre 9 de fevereiro e 3 de março, com planejamento realizado junto à assistência técnica da Coamo. Segundo o cooperado, o milho segunda safra passou a ter peso semelhante ao da soja no resultado econômico da propriedade. "Esta é a terceira safra em que o milho está dando um resultado semelhante ao da soja", afirma.

Engenheiro agrônomo Douglas Galmacci Cardoso com o cooperado Osmar Alves da Silva, em meio à lavoura de milho

Engenheiro agrônomo, Douglas Galmacci Cardoso, com o cooperado, Osmar Alves da Silva, em Peabiru (PR)

Silva acompanha os investimentos da Coamo na unidade de Peabiru como integrante do Comitê Educativo. Neste ano, foram construídos três silos, segundo ele, dois já estavam recebendo grãos e o terceiro em fase de conclusão. "Existe um esforço da cooperativa para ampliar a estrutura", relata.

A concentração da colheita, porém, ocorre em toda a região. Cooperados também direcionam cargas para Campo Mourão, Engenheiro Beltrão e Araruna, municípios que enfrentam o mesmo período de maior movimento. "Todos os municípios estavam colhendo ao mesmo tempo. Durante esses dez dias de movimento intenso, ficou difícil para as unidades darem conta de tudo ao mesmo tempo", observa Silva.

Guilherme e Sérgio Romagnolo ao lado de carreta graneleira e colheitadeira em lavoura de milho

Guilherme e Sérgio Romagnolo, de Manoel Ribas (PR): milho segunda safra entra como opção de rotação com o trigo no inverno

Em Manoel Ribas, Centro-Norte do Paraná, o milho segunda safra passou a integrar o planejamento de propriedades tradicionalmente voltadas ao trigo. O cooperado Sérgio Romagnolo iniciou o cultivo há cerca de quatro anos, em 16 alqueires, e atualmente destina perto de 70 alqueires ao milho.

A mudança foi favorecida pela utilização de cultivares de soja mais precoces, que antecipam a colheita e ampliam a janela para implantação do milho em uma região de clima mais frio. "Começamos a colher a soja até o início de fevereiro e, com isso, conseguimos entrar com o milho. É uma opção a mais para o sistema de produção", relata Romagnolo.

Além do resultado econômico, a escolha considera a rotação de culturas. "Quando as duas culturas produzem bem, a rentabilidade fica mais ou menos igual. Além disso, o milho ajuda a mudar o sistema de produção", explica.

A produtividade média do milho ficou entre 270 e 280 sacas por alqueire. O resultado, segundo Romagnolo, está próximo do observado em outros anos. Para os próximos ciclos, ele considera ampliar a área de milho, mas a decisão dependerá de fatores como clima, preços, custos e condições de comercialização. "A tendência para o próximo ano é aumentar um pouco mais. Mas, vamos avaliando a cada safra", observa.

O clima é um dos principais pontos de atenção para a cultura na região. Geadas e ventos podem comprometer as plantas. Na safra anterior, Romagnolo teve perdas provocadas por ventos e, neste ciclo, antecipou parte da colheita diante do risco de novas ocorrências, mesmo com o milho apresentando maior umidade.

De acordo com o engenheiro agrônomo, Rodrigo Luiz da Silva Dutra, da Coamo em Manoel Ribas, a área de milho segunda safra acompanhada pela unidade passou de pouco mais de quatro mil hectares na safra 2024 para mais de dez mil hectares na safra 2026. "O trigo ainda é a principal cultura da região, porque estamos em uma área de altitude e com clima mais frio. Porém, o milho passou a ser uma opção de cultivo que ganhou espaço nas últimas safras", explica Dutra.

Além de ampliar as opções econômicas, a inclusão do milho modifica a sucessão tradicional de soja e trigo. A utilização de outra espécie e de um sistema radicular diferente contribui para a rotação de culturas, embora exija atenção ao manejo das plantas daninhas após a colheita. "O milho segunda safra quebra uma sucessão que, muitas vezes, era formada apenas por trigo e soja. A soja que vem depois encontra um solo trabalhado por uma cultura com sistema radicular diferente", explica Dutra. Segundo ele, o manejo precisa acompanhar essa mudança. "Com a rotação, também aparecem outras plantas daninhas no pós-milho, e é preciso ter atenção para que não prejudiquem a produtividade da soja", ressalta.

Sérgio Romagnolo com o filho Guilherme e o engenheiro agrônomo Rodrigo Dutra segurando espigas de milho

Sérgio com o filho Guilherme Romagnolo e o engenheiro agrônomo, Rodrigo Dutra

Assista à reportagem e ao Momento Coamo, que mostram a colheita e o trabalho da cooperativa para receber a produção dos cooperados. Os vídeos estão disponíveis no canal da Coamo no YouTube.

É permitida a reprodução de matérias, desde que citada a fonte. Os artigos assinados ou citados não exprimem, necessariamente, a opinião do Jornal Coamo.