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RC: Neste contexto, a profissionalização das cooperativas é relevante?
Freitas: É fundamental. A profissionalização é fantástica e necessária.
Precisamos acompanhar a inovação, ter profissionais competentes, desenvolver negócios maiores e mais
fortes e buscar competitividade. Mas não podemos permitir que o crescimento do negócio desequilibre a
relação com os conceitos, princípios e valores do cooperativismo. Essa é a nossa essência e a nossa
principal diferença.
RC: Foi justamente essa preocupação que levou a OCB a escolher o tema
"Cultura Cooperativista"?
Freitas: Sim, esse tema veio muito forte da base. Tivemos no Congresso
Nacional milhares de presidentes de cooperativas de todo o Brasil e, quando discutimos os rumos e as
estratégias do movimento, a cultura apareceu com muita força. Falou-se sobre a falta de cultura, a
perda de cultura e o distanciamento da base. Por isso, amadurecemos a ideia de trabalhar a cultura
cooperativista como uma prioridade.
RC: Como essa cultura deve ser trabalhada?
Freitas: A cultura cooperativista precisa ser cultivada todos os dias.
Ela precisa ser trabalhada, alimentada e fortalecida permanentemente. Não estou dizendo que devemos
deixar de lado a profissionalização, a inovação, o foco no negócio ou a segmentação das funções. Pelo
contrário. Tudo isso é necessário. Mas precisamos resgatar também o coração, a paixão de ser
cooperativista.
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Homenagem aos Pioneiros do Cooperativismo Brasileiro, no evento "Semana de Competitividade 2026"
promovido pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)
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RC: Qual o impacto desta Semana de Competitividade para melhoria dos
resultados na cultura cooperativista?
Freitas: Este evento com cerca de mil cooperativistas de todo o país é
um "motor de arranque" para um processo que será desenvolvido ao longo de todo este ano e no início do
próximo. Vamos trabalhar a cultura cooperativista e desenvolver mecanismos e ferramentas para
chegarmos cada vez mais perto do cooperado.
RC: Entre essas ações está o fortalecimento dos Conselhos de
Administração?
Freitas: Sim, uma das iniciativas da OCB é fortalecer os nossos
Conselhos de Administração. Já lançamos a Jornada dos Conselheiros, que prevê capacitação e treinamento
para que os conselheiros possam exercer plenamente seu papel estratégico, como representantes
legítimos dos cooperados.
RC: Como conciliar o fortalecimento dos conselhos com a profissionalização
das cooperativas?
Freitas: As duas coisas caminham juntas. Precisamos de uma estrutura
executiva profissional, com pessoas qualificadas, ágeis e competentes para realizar e construir. Mas
também precisamos de uma base estratégica capaz de enxergar o cooperativismo a partir da visão do
cooperado. O conselho precisa pensar no futuro, enxergar o futuro e ajudar a determinar os rumos da
organização. Os executivos cumprem essa função com energia e dinâmica, mas sempre dentro de uma
orientação estratégica que preserve a essência cooperativista.
RC: Por que essa divisão de papéis é tão importante?
Freitas: Porque, se não tivermos essa base estratégica, corremos o risco
de entregar o nosso próprio modelo. Queremos um cooperativismo cada vez mais competente e competitivo,
mas, acima de tudo, queremos um cooperativismo com essência. Nossa diferença não está apenas em sermos
uma grande empresa ou um grande agente econômico. Nossa diferença é sermos cooperativos.
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"Queremos um cooperativismo cada vez mais competente e competitivo, mas, acima de tudo, queremos um
cooperativismo com essência." |
RC: Então o objetivo é mudar o cooperativismo ou resgatar as origens?
Freitas: Não estou propondo mudanças radicais. Estou falando de resgate,
pois precisamos resgatar o verdadeiro papel dos Conselhos de Administração, fortalecer a participação
dos cooperados e recuperar a essência do movimento. Queremos avançar, inovar e sermos competitivos, mas
sem perder aquilo que nos torna diferentes.
RC: Qual é a importância de reconhecer os pioneiros do cooperativismo em um
grande evento e a nível nacional?
Freitas: O cooperativismo que temos foi construído a partir das ideias e
do trabalho de muitos pioneiros. São pessoas que ajudaram a construir os alicerces desse movimento que
hoje está presente em todo o Brasil e em praticamente todas as atividades econômicas. Entre os 11
pioneiros homenageados na Semana de Competitividade estão lendas como Roberto Rodrigues e José Aroldo
Gallassini. Reconhecer essas pessoas é reconhecer simbolicamente a nossa própria história e, ao mesmo
tempo, compreender que esse legado é importante para construirmos o futuro.
RC: Qual mensagem do senhor para os cooperativistas da Coamo e da
Credicoamo?
Freitas: Precisamos olhar para o futuro, mas sem esquecer nossas
origens. Podemos ter profissionalização, inovação, escala, competitividade e grandes negócios. Tudo
isso é importante. Mas não podemos permitir que o negócio se torne mais importante que o cooperado e
que os princípios que deram origem ao movimento. O futuro do cooperativismo depende da nossa
capacidade de cultivar, todos os dias, a cultura, os valores e a essência cooperativista.
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