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Estudar, morar na cidade e construir uma profissão fora do campo não significou romper com a atividade
rural para Beatriz e Laís Maciel Ribas. Filhas de produtores cooperados da Coamo, as irmãs cresceram
acompanhando os pais na propriedade, em Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná. Depois de concluírem os
estudos, retornaram para o meio rural e passaram a participar diretamente da produção, gestão e decisões
do negócio da família.
Beatriz é engenheira agrônoma. Laís advogada. As formações são diferentes, mas hoje se encontram na rotina
da propriedade. Soja e milho fazem parte da produção agrícola, enquanto a criação de bezerros integra a
atividade pecuária. As duas participam das atividades que acompanham o ciclo produtivo, desde o
planejamento e o plantio até a colheita, além do manejo dos animais.
O retorno ao campo ocorreu também diante da necessidade de mão de obra na propriedade. A relação com a
atividade, porém, começou muito antes. Desde crianças, Beatriz e Laís acompanhavam os pais e conheciam a
rotina do trabalho rural. Hoje, vivem novamente na propriedade com eles e dividem as tarefas conforme as
necessidades.
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Laís e Beatriz dividem com os pais as tarefas no campo e participam de diferentes etapas da
produção
Laís e Beatriz contam com o apoio da Coamo nas operações e também na formação e capacitação
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No plantio, Beatriz e Laís trabalham ao lado do pai. Nas pulverizações, Beatriz atua com ele. Na
colheita, também opera a colheitadeira. Laís participa das atividades administrativas e financeiras
e está presente nas operações do campo. "Todo mundo faz um pouco de cada coisa", conta Beatriz.
A rotina reúne conhecimento adquirido em diferentes momentos da trajetória das irmãs. Para Beatriz,
a formação em agronomia trouxe o conteúdo técnico que passou a ser aplicado na propriedade, enquanto
a convivência com os pais acrescentou a experiência prática. "Na faculdade consegui ter, na teoria,
os conteúdos e, na propriedade rural, o conhecimento na prática", afirma.
Laís também incorporou à atividade rural uma formação construída fora dela. O direito não estava
diretamente ligado à produção agrícola, mas passou a fazer parte da rotina da propriedade depois que
ela retornou e buscou a pós-graduação em gestão do agronegócio.
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A participação das irmãs também faz parte do processo de sucessão da família, que está na quinta geração.
Os pais continuam atuantes e acompanham a evolução das filhas. A transferência de responsabilidades ocorre
gradualmente, com o trabalho compartilhado e o conhecimento sendo transmitido no dia a dia. "O processo de
sucessão está sendo relativamente tranquilo, porque temos ainda o nosso pai ao nosso lado. Ele consegue
acompanhar nossa evolução e aprendemos diariamente com ele", comenta Beatriz.
Para Laís, a sucessão não se resume ao momento em que uma geração deixa a propriedade e outra assume. Ela
começa na convivência e na participação dos filhos nas atividades. "A sucessão não é algo de receber. É de
construir todo dia junto, no diálogo, que é muito importante, porque não tem continuação se não tiver
diálogo."
A trajetória das irmãs também inclui a participação na Coamo. As duas fizeram o programa Jovens Líderes
Cooperativistas, iniciativa voltada à formação de jovens em temas relacionados ao cooperativismo,
liderança, gestão e continuidade das atividades. Para Beatriz, a participação contribuiu para ampliar o
conhecimento sobre a continuidade das atividades agrícolas. "Nesse programa foi possível ter mais
conhecimento sobre a gestão e a sucessão da propriedade."
Laís também relaciona o programa à preparação dos jovens para a continuidade da atividade rural e para a
participação na cooperativa. "O programa Jovens Líderes é muito importante porque valoriza o futuro do
jovem, tanto na propriedade como na própria cooperativa", assinala. O programa é um dos espaços de
formação que aproximam as novas gerações do cooperativismo. Para Laís, essa relação também representa uma
possibilidade de buscar apoio e conhecimento para as necessidades da propriedade. "É o cooperar, construir
junto, ter a cooperativa como um braço direito no que a gente precisar", destaca.
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Lilian atua em diferentes etapas da produção, com assistência técnica da Coamo desde o planejamento
da safra até a entrega, e também opera máquinas como plantadeira e colheitadeira
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A participação feminina no campo também aparece na história de Lilian Kungel, cooperada em Campo
Mourão, no Centro-Oeste do Paraná. Filha de agricultores, ela nasceu e cresceu no meio rural,
acompanhando os pais nas atividades da propriedade. Atualmente, participa, ao lado dos irmãos, do
processo de sucessão, enquanto os pais continuam atuantes. "Eu nasci e cresci em um ambiente rural e
tenho a essência do agro. Os meus pais já vêm de uma geração familiar e incluíram nós, os filhos",
conta Lilian.
Na propriedade, a família cultiva soja, milho, aveia e trigo. Lilian acompanha os processos de
produção e conta com a assistência técnica da Coamo desde o planejamento da safra até a colheita e
a entrega da produção. Ela participa dos diferentes processos e opera máquinas agrícolas, como
plantadeira e colheitadeira. "Desde pequena, meu pai sempre nos ensinou os processos diários na
propriedade e nós estamos dando continuidade nesse trabalho. Essa sucessão, nosso legado, é da
agricultura. Adotamos várias tecnologias, e a parceria com a Coamo é muito importante, porque sempre
está em todos os processos", explica.
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Para Lilian, a sucessão envolve a participação dos filhos na rotina da propriedade e a transmissão de
valores e princípios. Ela relaciona esse processo ao cultivo de uma lavoura, desde o lançamento da semente
no solo até a colheita. "A participação familiar é muito importante, porque os pais devem mostrar para os
filhos os valores e os princípios. É como plantar uma semente no solo sem saber quando vai brotar, como
vai ser a colheita. Mas, a natureza se encarrega de cumprir esse propósito", destaca.
A participação de Lilian também se estende às atividades voltadas às mulheres no cooperativismo. Ela já
participou de cursos e programas da Coamo, entre eles o Mulher Atual e o Mulheres que Semeiam. Segundo
ela, a experiência contribuiu para ampliar a percepção sobre seu papel na propriedade, na família e na
formação dos filhos. "A partir desses cursos eu vi que tenho um papel importante na propriedade, na minha
família e com os meus filhos", relata.
O envolvimento com outras mulheres também faz parte da atuação de Lilian. Ela participa de grupos de
mulheres cooperadas. "Eu amo estar com as pessoas, porque por meio das pessoas existe a comunicação, a
conexão e, com certeza, o sucesso para todas as mulheres. Nós temos um papel muito importante e
fundamental", diz.
A relação da família com a Coamo acompanha a trajetória de Lilian no campo. O pai já era cooperado quando
ela nasceu. "A Coamo é uma cooperativa que semeia com confiança e cultiva a parceria com os cooperados. E,
por meio disso, podemos ter uma colheita de prosperidade", diz.
Para Lilian, a sucessão representa a continuidade do trabalho da família e a preparação das próximas
gerações. "É importante buscar o equilíbrio e alcançar o propósito. Cada família deixa um legado, e eu
quero deixar o meu. Quero marcar gerações e quero que transborde na vida dos meus filhos e nas próximas
gerações. A sementinha que foi lançada com muito amor, porque plantar é um ato de amor", ressalta.
Segundo o gerente da Coamo em Guarapuava, Marlon Costa, a participação das mulheres vem crescendo no
agronegócio. "As mulheres já têm o seu protagonismo dentro da atividade agropecuária e exercem funções em
diferentes áreas", afirma Costa.
Essa participação envolve cooperadas, esposas e filhas de cooperados. Para Costa, a ampliação da presença
feminina também está relacionada aos espaços de formação, informação e participação oferecidos pela
cooperativa. O gerente explica, por exemplo, as ações do Núcleo Feminino, que atua paralelamente ao
Comitê Educativo e possibilita a participação das mulheres em discussões relacionadas à cooperativa e às
propriedades. "Com o Núcleo Feminino, as mulheres também participam ativamente da gestão da cooperativa,
trazendo informações e reivindicando melhorias para a gestão das propriedades", explica Costa.
Na avaliação do gerente, esses espaços contribuem para aproximar as mulheres das atividades da cooperativa
e ampliar a participação nas decisões relacionadas ao meio rural. A atuação também permite que demandas
das propriedades sejam apresentadas e discutidas dentro da estrutura cooperativista. "Não é só o processo
de sucessão da propriedade. Os programas disponibilizados também fazem parte do processo de continuidade
da própria Coamo", ressalta Costa.
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