Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 569 | Junho de 2026 | Campo Mourão - Paraná

TECNOLOGIA

Manejo do nitrogênio no milho segunda safra - estratégias para maior eficiência produtiva

Estação técnica sobre manejo do nitrogênio no milho segunda safra, no Encontro de Inverno

EQUIPE TÉCNICA

Bruno Lopes Paes (Campo Mourão), Andrew Akihito Ouchita Gomes (Cambé), José Petruise Ferreira Junior (Campo Mourão), Iury Machry Bonfim (Juranda) e Marcia Eduarda Souza Esteves (Tupãssi)

Pesquisador: Marcelo Augusto Batista (UEM)

O nitrogênio é um dos nutrientes mais exigidos no sistema de produção envolvendo soja e milho segunda safra. Com o aumento da produtividade e da demanda pelo cereal, seu manejo tornou-se estratégico para elevar a eficiência no uso dos fertilizantes e melhorar os resultados econômicos das lavouras.

Segundo o engenheiro agrônomo da Coamo, Bruno Lopes Paes, esse cenário exige planejamento mais criterioso na definição das estratégias de adubação. "O milho terá uma demanda cada vez maior e isso amplia as oportunidades para agregação de valor à produção do cooperado", afirma.

De acordo com Paes, a definição das doses deve considerar a expectativa de rendimento da lavoura e a capacidade de fornecimento do sistema para atender às exigências da cultura. Entre as alternativas disponíveis estão fertilizantes minerais e tecnologias biológicas, como produtos à base de Azospirillum brasilense, cuja eficácia já está consolidada no mercado, e Methylobacterium symbioticum, que amplia as estratégias para incrementar a eficiência do sistema produtivo. "O nitrogênio exige atenção especial dentro da sucessão soja-milho. É importante entender quanto o sistema demanda e qual deve ser o aporte necessário para alcançar níveis elevados de produtividade. O importante não é apenas aportar nitrogênio ao sistema, mas fazê-lo da forma correta para aumentar a eficiência de utilização desse nutriente", destaca.

Outro ponto importante é reduzir as perdas por volatilização. A escolha da fonte, o momento de aplicação e as condições ambientais influenciam diretamente o aproveitamento do fertilizante. "Cada fonte possui características específicas. Em determinadas situações, o manejo incorreto pode aumentar significativamente as perdas de nitrogênio. Por isso, conhecer essas particularidades é fundamental para tomar a melhor decisão", explica.

Para o pesquisador da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Marcelo Augusto Batista, o manejo do nitrogênio está entre os temas mais complexos da fertilidade do solo, pois não existe uma ferramenta capaz de determinar com precisão a quantidade disponível para definir diretamente a recomendação de adubação. "O manejo do nitrogênio exige interpretação. É preciso considerar a cultura anterior, o teor de matéria orgânica do solo e a expectativa de produtividade para definir a estratégia mais adequada."

Segundo Batista, anos com condições climáticas favoráveis evidenciam ainda mais a importância do manejo correto. "O produtor faz escolhas o tempo todo. Essas decisões determinam o sucesso produtivo e econômico da propriedade. O que deixa de ser produzido hoje representa uma perda que se acumula ao longo do tempo", observa.

Cooperado Gilson Nei Boeing, de Manoel Ribas

Cooperado Gilson Nei Boeing, de Manoel Ribas

O pesquisador ressalta que a fertilidade do solo deve ser encarada como uma ferramenta para aumentar a rentabilidade da atividade. "Quem trabalha com fertilidade do solo busca mais lucro para a atividade. Por isso, a escolha correta das fontes e das estratégias de manejo é fundamental", diz.

O cooperado Gilson Nei Boeing, de Manoel Ribas (Centro do Paraná), já adota parte dessas recomendações em sua propriedade. Segundo ele, o parcelamento da adubação nitrogenada melhora o aproveitamento do nutriente na cultura do milho. "Na implantação da lavoura já utilizo adubo formulado com nitrogênio e depois faço mais duas aplicações de ureia. Esse manejo apresenta resultados melhores do que concentrar toda a adubação em uma única aplicação", afirma.

Para Boeing, dividir as aplicações reduz as perdas por volatilização e aumenta a eficiência da adubação. "O nitrogênio pode se perder com facilidade. Quando dividimos as aplicações, o aproveitamento pela planta tende a ser maior", explica.

O cooperado destaca que participar de eventos técnicos permite aperfeiçoar o manejo e acompanhar a evolução das tecnologias. "É importante estar sempre buscando informação. A agricultura evolui rapidamente e precisamos acompanhar essas mudanças. As margens estão cada vez menores. Se o produtor deixar de evoluir e buscar conhecimento, fica muito mais difícil manter a competitividade da propriedade."



Planejamento de terraços com o uso de imagens aéreas e ferramentas de Agricultura de Precisão

Cooperados acompanham apresentação sobre planejamento de terraços na Fazenda Experimental

EQUIPE TÉCNICA

Fabricio Bueno Corrêa (Campo Mourão), Carlos Vinícius Precinotto (Mamborê), Fernando Daniel Negrini (Campo Mourão), Amanda Paola Costa (Cantagalo) e Victor Hugo Matias Cangussu de Moura (Engenheiro Beltrão)

Pesquisadora: Graziela Moraes de Cesare Barbosa (IDR-Paraná)

A conservação do solo e da água continua sendo um dos pilares da sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Entre as práticas utilizadas para reduzir as perdas provocadas pelo escoamento superficial da água da chuva, os terraços permanecem como uma ferramenta importante para proteger o solo, preservar nutrientes e contribuir para a estabilidade produtiva das lavouras.

Segundo o engenheiro agrônomo da Coamo, Fabrício Bueno Corrêa, os terraços devem ser entendidos como parte integrante do sistema de produção. "O cooperado precisa adotar boas práticas de conservação e manter os terraços como parte desse processo", afirma.

De acordo com Corrêa, a evolução do plantio direto levou muitos produtores a reduzirem ou até eliminarem terraços em algumas áreas. No entanto, o aumento da intensidade das chuvas reforça a necessidade de retomar a atenção para essas estruturas. "O terraço faz parte do sistema e precisa estar integrado ao uso e manejo do solo para que o combate à erosão seja eficiente", explica.

A principal função do terraço é interceptar o escoamento superficial, reduzindo a velocidade da água e favorecendo a infiltração da água no solo. Por isso, a estrutura é frequentemente comparada a um seguro agrícola. "O ideal é que toda a água da chuva seja infiltrada no solo. Na prática, o terraceamento ajuda a reduzir as perdas de solo e água, contribuindo para a proteção da lavoura", ressalta.

A Coamo disponibiliza aos cooperados serviços de avaliação e planejamento de terraços, incluindo a verificação de estruturas existentes, a análise de curvas de nível e a elaboração de projetos para implantação ou adequação dos sistemas de conservação. O trabalho utiliza ferramentas de Agricultura de Precisão associadas ao uso de drones. A partir da modelagem digital do terreno, são geradas informações sobre relevo, declividade e comportamento da água na propriedade. "Com a modelagem da área, conseguimos verificar curvas já existentes, realizar simulações e aplicar metodologias utilizadas no Brasil para o planejamento dos terraços", explica.

A tecnologia também permite utilizar tratores e pulverizadores equipados com piloto automático e sinal GPS corrigido para realizar a marcação dos níveis no campo, reduzindo a necessidade dos métodos tradicionais. "O cooperado consegue utilizar recursos que já possui na propriedade para realizar a marcação dos níveis a partir do projeto elaborado previamente", observa Corrêa.

Para a pesquisadora do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Graziela Moraes de Cesare Barbosa, a conservação do solo ganha ainda mais importância diante das mudanças no comportamento das chuvas. "Estamos observando cada vez mais chuvas erosivas. Muitas vezes o volume anual permanece semelhante, mas concentrado em eventos de maior intensidade", afirma.

Segundo a pesquisadora, o escoamento superficial transporta não apenas o solo, mas também nutrientes aplicados durante o ciclo das culturas. "É preciso manter essa água dentro da lavoura. Ela é necessária para o desenvolvimento das plantas e, quando ocorre o escoamento superficial, há perda de solo e nutrientes para os cursos da água", explica.

Graziela reforça que os terraços, isoladamente, não garantem a conservação do solo. O resultado depende da adoção conjunta de práticas como plantio direto, semeadura em nível, rotação de culturas e manutenção da cobertura vegetal.

O cooperado Sebastião Polato, de Rancho Alegre do Oeste (Centro-Oeste do Paraná), acompanha há décadas a evolução das práticas de conservação do solo e considera que as novas tecnologias representam mais um avanço no planejamento das propriedades. Segundo ele, a preocupação com o terraceamento faz parte da história da família desde o início da mecanização agrícola. "Meu pai sempre buscou apoio da pesquisa para implantar os terraços. Naquele tempo não existiam as tecnologias que temos hoje. O trabalho era feito dentro das condições disponíveis", relembra.

Ao longo dos anos, novas práticas passaram a integrar o sistema de produção, como o plantio direto e o uso de braquiária nas áreas de milho. Polato vê no uso de drones, imagens aéreas e ferramentas da Agricultura de Precisão uma oportunidade para aperfeiçoar o manejo conservacionista. "É possível analisar cada parte da propriedade com muito mais precisão. Antes trabalhávamos com médias; agora conseguimos avaliar cada porção do terreno individualmente e planejar o terraceamento de forma muito mais eficiente", afirma.

Na avaliação do cooperado, a tecnologia permite dimensionar corretamente os terraços, evitando estruturas desnecessárias e identificando os locais onde elas realmente são indispensáveis. "O objetivo é utilizar os terraços exatamente onde eles são necessários. Isso melhora a operação na propriedade e ajuda a preservar um patrimônio que leva muitos anos para ser construído. A lavoura é construída em poucos meses, mas recuperar um solo degradado pode levar anos. Por isso, toda tecnologia que contribui para a conservação do solo agrega valor à propriedade", pondera.

Graziela Moraes de Cesare Barbosa, do IDR-Paraná

Graziela Moraes de Cesare Barbosa, do IDR-Paraná

Cooperado Sebastião Polato, de Rancho Alegre do Oeste

Cooperado Sebastião Polato, de Rancho Alegre do Oeste

Plantas daninhas e doenças no trigo, estratégias de manejo e controle

Cooperados acompanham estação técnica sobre trigo na Fazenda Experimental

EQUIPE TÉCNICA

Vinícius Francisco Albarello (Campo Mourão), Marcelo Antonio Brocco (Ivaiporã), Marcos Matheus Nakamura de Jesus (Manoel Ribas) e Paulo Nedes de Souza Peres (Pitanga)

O trigo ocupa posição estratégica nos sistemas de produção em várias regiões da área de atuação da Coamo. Além da geração de renda durante o inverno, a cultura contribui para a formação de palhada, a ciclagem de nutrientes, a conservação do solo e a redução da pressão de plantas daninhas nas culturas de verão.

Segundo o engenheiro agrônomo da Coamo, Vinícius Francisco Albarello, o trigo deve ser analisado dentro de uma visão sistêmica, considerando a produtividade da cultura e seus reflexos sobre as lavouras implantadas na sequência. "O trigo traz benefícios para o sistema produtivo. Além da produção de grãos, contribui para a ciclagem de nutrientes, a cobertura do solo e o manejo de plantas daninhas."

Entre os principais desafios estão plantas invasoras como azevém, nabo e aveia, que competem diretamente com a cultura e dificultam a dessecação antes da implantação das culturas de verão. "O azevém continua sendo uma das principais preocupações, principalmente em áreas onde já existem relatos de resistência, situação observada com mais frequência na região Sul da área de atuação da cooperativa", explica.

De acordo com Albarello, o perfilhamento do trigo proporciona cobertura mais uniforme do solo, reduzindo espaços para o desenvolvimento de plantas invasoras e favorecendo a implantação da soja. "Quando o manejo é realizado adequadamente, o cooperado consegue reduzir significativamente a presença de plantas daninhas e facilitar a implantação da cultura seguinte", destaca.

Outro benefício está relacionado à ciclagem de nutrientes, especialmente do potássio. O trigo apresenta elevada capacidade de absorver esse nutriente, mas exporta pequena quantidade pelos grãos, favorecendo sua permanência no sistema quando a cultura é conduzida adequadamente. O menor espaçamento entre as linhas de semeadura também contribui para uma distribuição mais uniforme do fertilizante e melhor aproveitamento da fertilidade do solo. Além disso, a palhada, com relação carbono/nitrogênio próxima de 60 para 1, permanece por mais tempo sobre a superfície, potencializando os benefícios do sistema plantio direto. "Essa palhada ajuda a reduzir processos erosivos, favorece a ciclagem de nutrientes, auxilia na manutenção da umidade e contribui para reduzir a temperatura do solo", explica.

Sidney Galvani, cooperado em Manoel Ribas

Sidney Galvani, cooperado em Manoel Ribas

Estudos conduzidos ao longo de décadas demonstram os ganhos da rotação de culturas sobre a produtividade. Resultados de experimentos de longa duração mostram incrementos consistentes quando o trigo é inserido em sistemas diversificados. "Quanto mais o tempo passa, mais evidentes se tornam os benefícios da rotação de culturas. Os resultados mostram incrementos de produtividade quando o sistema é conduzido com diversificação", afirma.

Albarello ressalta que esses ganhos dependem da diversificação do sistema. O cultivo repetitivo da mesma espécie favorece problemas fitossanitários e compromete parte dos benefícios da rotação. "O trigo é uma importante ferramenta de rotação, mas não deve ser utilizado continuamente na mesma área. A diversificação das culturas é fundamental para a sustentabilidade do sistema produtivo", destaca.

Os benefícios também são percebidos pelos cooperados. Sidney Galvani, de Manoel Ribas (Centro do Paraná), afirma que o trigo contribui para a formação de palhada, o controle da erosão e a conservação da umidade do solo, favorecendo as culturas implantadas na sequência. "O trigo deixa mais cobertura sobre o solo e ajuda no controle da erosão", relata.

Segundo Galvani, o manejo adequado tem proporcionado avanços no controle de plantas daninhas na propriedade. "Cada safra apresenta desafios diferentes. Com orientação técnica e ajustes no manejo, conseguimos melhorar o controle. A rotação melhora o sistema. A palhada ajuda a manter a umidade e traz benefícios para as culturas seguintes", ressalta.



Controle integrado de plantas daninhas no sistema de produção milho segunda safra e soja

O manejo de plantas daninhas tem se tornado um dos principais desafios dos sistemas de produção baseados na sucessão soja e milho segunda safra. A presença crescente de espécies resistentes a herbicidas, associada ao aumento de plantas consideradas quarentenárias por mercados importadores, exige planejamento contínuo e uma visão integrada de manejo ao longo de todo o ciclo produtivo. Na área de atuação da Coamo, onde esse sistema ocupa grande parte das lavouras, o período entre a colheita do milho e a implantação da soja exige atenção especial. Segundo o engenheiro agrônomo da Coamo, Itamar Leandro Suss, anos com maior ocorrência de chuvas e temperaturas favoráveis aceleram o desenvolvimento das plantas daninhas. "O manejo não pode começar apenas próximo ao plantio da soja. É necessário monitorar as áreas desde a colheita do milho e planejar as ações com antecedência para não perder o momento correto de controle", afirma.

De acordo com Suss, os produtores dispõem de diferentes ferramentas de manejo, como herbicidas com diferentes mecanismos de ação, novas biotecnologias e plantas de cobertura para reduzir a pressão de plantas daninhas. Entre os principais desafios estão espécies como buva, capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, leiteiro, picão-preto e caruru, algumas delas com casos de resistência a herbicidas amplamente utilizados. "O cenário mudou. Não lidamos apenas com buva e capim-amargoso. Outras espécies passaram a exigir atenção e muitas delas emergem junto com a cultura da soja, aumentando a complexidade do manejo", explica.

Além dos impactos sobre a produtividade, algumas espécies representam riscos para a comercialização dos grãos. Plantas quarentenárias, especialmente para o mercado chinês, como cravorana, leiteiro e capim-carrapicho, não podem estar presentes nas cargas destinadas à exportação. "Essas espécies precisam ser controladas porque sua presença pode gerar problemas na comercialização dos grãos", destaca.

Nesse cenário, os herbicidas pré-emergentes ganharam importância dentro dos programas de manejo. Segundo Suss, a ferramenta tornou-se indispensável, mas exige posicionamento técnico adequado. "O pré-emergente é uma ferramenta fundamental. Porém, seu uso precisa considerar a espécie a ser controlada, o tipo de solo, a tecnologia da cultivar e o programa de manejo adotado para a área", afirma.

Entre as modalidades de aplicação, a recomendação técnica prioriza o sistema aplique-plante, realizado antes da semeadura da soja. A prática reduz o risco de fitotoxicidade e amplia a segurança operacional. "O aplique-plante oferece mais segurança e reduz as possibilidades de problemas relacionados à seletividade dos produtos", explica.

O pesquisador da Embrapa Soja, Rafael Romero Mendes, reforça que o manejo deve ser planejado considerando todo o sistema produtivo. Segundo ele, o período após a colheita do milho segunda safra representa uma oportunidade para reduzir as populações de plantas daninhas antes da implantação da soja, mas o trabalho precisa continuar durante todo o ciclo produtivo. "Não devemos nos preocupar apenas com a dessecação antes da soja. O manejo precisa continuar dentro da cultura, após a colheita e durante as culturas de inverno", explica.

EQUIPE TÉCNICA

Itamar Leandro Suss (Campo Mourão), Cleiton de Souza Bukoski (Mamborê), Jefferson Wellington Volpatto Jede (Toledo), Juliano Seganfredo (Engenheiro Beltrão), Isabela Haiyumi Miyachi Valério (Juranda) e Larissa Peixoto Teixeira (Moreira Sales)

Pesquisadores: Rafael Romero Mendes e Fernando Adegas (Embrapa Soja)

Cooperados acompanham palestra sobre controle integrado de plantas daninhas

Para Mendes, as mudanças observadas nas populações de plantas daninhas exigem atualização permanente de produtores e técnicos. Espécies antes controladas com facilidade passaram a representar novos desafios em razão da resistência aos herbicidas e das mudanças nos sistemas de produção. "Precisamos diversificar as estratégias de manejo, utilizar corretamente os herbicidas, manter cobertura do solo, investir em rotação de culturas e monitorar constantemente as áreas. A planta daninha não pertence a uma cultura específica. Ela permanece na área durante todo o ano. Por isso, o manejo precisa ser pensado para o sistema e não apenas para uma safra isolada", destaca.

Rafael Romero Mendes, da Embrapa Soja

Rafael Romero Mendes, da Embrapa Soja

Verticalização da propriedade na pecuária de corte

A busca por mais rentabilidade na pecuária de corte passa pela integração de diferentes áreas de manejo dentro da propriedade. Nutrição, sanidade, melhoramento genético, gestão e assistência técnica influenciam diretamente os índices produtivos e econômicos da atividade. Quando essas áreas atuam de forma integrada, a propriedade amplia seu potencial de produção e cria condições para acelerar o processo de verticalização da pecuária.

Conforme o médico veterinário da Coamo, Bruno Vinicius Pereira Fornari, a evolução dos resultados depende do equilíbrio entre esses pilares. "Todas essas áreas funcionam como engrenagens. Se uma delas não estiver conectada ao sistema, o cooperado consegue trabalhar, mas deixa de alcançar o potencial máximo de produtividade e lucratividade", considera.

Entre os pilares da produção pecuária, a nutrição ocupa posição central. A base alimentar do rebanho brasileiro continua sendo a pastagem. "Cerca de 80% dos bovinos abatidos no Brasil são provenientes de sistemas a pasto. Por isso, a qualidade das pastagens influencia diretamente os resultados da atividade." Para aumentar a capacidade produtiva das áreas, Fornari destaca a importância da correção do solo, da adubação e do manejo adequado das pastagens, incluindo sistemas de piquetes rotacionados, medidas que elevam a produção de forragem e ampliam a capacidade de suporte das propriedades.

Outro fator decisivo é a sanidade do rebanho. De acordo com Fornari, muitos prejuízos econômicos estão associados a parasitas internos, que nem sempre apresentam sinais visíveis de infestação. "O maior prejuízo sanitário da pecuária está relacionado aos vermes gastrointestinais. Eles representam mais de 50% das perdas causadas por parasitas nos rebanhos", destaca. Animais infestados podem perder até 20% do potencial de ganho diário de peso. Além disso, carrapatos, bernes e mosca-dos-chifres exigem controle permanente devido à transmissão de enfermidades.

Cooperados acompanham estação técnica sobre verticalização da pecuária de corte, no Encontro de Inverno

EQUIPE TÉCNICA

Bruno Vinicius Pereira Fornari (Campo Mourão), Clécio Jorge Hansen Mangolin (Campo Mourão), Karina Gomes Dias (Iretama), Jefferson Silvestre (Moreira Sales) e Victor Sesnik Storte (Roncador)

O melhoramento genético também integra esse conjunto de estratégias. O uso de biotecnologias tem ampliado as possibilidades de seleção e acelerado o ganho genético dos rebanhos comerciais. Entre as ferramentas disponíveis está a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que permite utilizar material genético de reprodutores selecionados em grande número de matrizes durante um mesmo período reprodutivo. "Com a IATF é possível acelerar o melhoramento genético, aumentar a padronização dos lotes e reduzir o intervalo entre partos, tornando o sistema mais eficiente", assinala. A técnica também amplia o acesso a características desejáveis relacionadas ao desempenho, à precocidade, à fertilidade e à qualidade de carcaça dos animais.

A gestão completa esse conjunto de fatores essenciais para a tomada de decisões. Segundo Fornari, o acompanhamento de indicadores produtivos e econômicos permite identificar oportunidades de melhoria e corrigir problemas com mais rapidez. "O cooperado precisa conhecer os principais números da sua atividade. Sem indicadores, fica difícil avaliar se os resultados estão dentro do esperado", pondera.

Entre os indicadores considerados fundamentais estão o ganho médio diário de peso (GMD), a produção de arrobas por hectare e o custo de produção da arroba. O monitoramento dessas informações permite avaliar a eficiência do sistema e orientar investimentos. "O ganho médio diário mostra se os animais estão respondendo ao manejo adotado. Já a produção por hectare e o custo da arroba ajudam a medir a eficiência econômica da atividade", reitera.

Integrando todos esses fatores está a assistência técnica, considerada peça fundamental para transformar conhecimento em resultados na propriedade. "Nutrição, sanidade, genética e gestão só geram resultados quando são aplicadas corretamente. A assistência técnica é o elo que conecta todas essas áreas e ajuda o cooperado a colocar as estratégias em prática. O resultado vem da soma de várias ações. Quando todas as engrenagens funcionam juntas, a propriedade produz mais e se torna mais eficiente", conclui.

Vista aérea da Fazenda Experimental da Coamo em Dourados, Mato Grosso do Sul

ENCONTRO DE INVERNO NO MS

A pesquisa aplicada, a validação de tecnologias e a transferência de conhecimento para o campo marcaram a terceira edição do Encontro de Inverno da Coamo, realizada na Fazenda Experimental de Dourados, em Mato Grosso do Sul. Durante dois dias, cerca de mil cooperados participaram de uma programação voltada à geração de informações para apoiar a tomada de decisão nas propriedades, com foco em produtividade, redução de riscos e eficiência dos sistemas de produção. As cinco estações técnicas abordaram temas relacionados à agricultura e à pecuária, além de uma palestra sobre clima e seus impactos na atividade agropecuária.

Para o diretor de Suprimentos e Assistência Técnica da Coamo, Aquiles de Oliveira Dias, o principal objetivo é transformar conhecimento em resultados para o cooperado. Segundo ele, a missão da cooperativa de gerar renda passa pela busca constante por tecnologias que contribuam para aumentar a produtividade e reduzir custos. Aquiles destaca ainda a importância da interação entre a equipe técnica da Coamo, instituições de pesquisa, universidades e empresas parceiras na geração de informações adaptadas à realidade dos produtores do Mato Grosso do Sul. "O cooperado tem a oportunidade de estar em contato direto com pesquisadores e conhecer tecnologias que estão sendo avaliadas para aplicação nas propriedades", afirma.

O gerente de Assistência Técnica da Coamo, Marcelo Sumiya, explica que os encontros são planejados com foco no sistema de produção, considerando a integração entre as diferentes culturas e atividades desenvolvidas nas propriedades. Segundo ele, as informações apresentadas buscam auxiliar os cooperados no planejamento das safras e na adoção de práticas que contribuam para aumentar a estabilidade produtiva. Entre os assuntos abordados nesta edição estiveram manejo de solo, fertilidade, conservação de água, pecuária e estratégias para enfrentar os desafios climáticos. "Nosso objetivo é levar conhecimento técnico que possa ser utilizado no dia a dia da propriedade, ajudando o cooperado a potencializar resultados e reduzir riscos", destaca.

Aquiles Dias, diretor de Suprimentos e Assistência Técnica da Coamo

Aquiles Dias, diretor de Suprimentos e Assistência Técnica da Coamo

Marcelo Sumiya, gerente de Assistência Técnica da Coamo

Marcelo Sumiya, gerente de Assistência Técnica da Coamo

Marcos Garbiate, coordenador da Fazenda Experimental em Dourados

Marcos Garbiate, coordenador da Fazenda Experimental em Dourados

Segundo o coordenador da Fazenda Experimental da Coamo em Dourados, Marcos Vinicios Garbiate, a participação e o envolvimento dos cooperados demonstram a importância do evento como ferramenta de apoio ao desenvolvimento regional. Ele conta que um dos diferenciais do trabalho realizado na fazenda é a geração de dados dentro das condições de produção encontradas no Mato Grosso do Sul, permitindo que as recomendações estejam alinhadas à realidade local. Garbiate ressalta ainda que os experimentos conduzidos ao longo do ano servem de base para discussões técnicas e para a construção de soluções voltadas aos desafios enfrentados pelos produtores. "A proposta é que o cooperado volte para a propriedade com informações que possam ser aplicadas no manejo e contribuam para melhorar os resultados."

Encontros nas Fazendas Experimentais em Campo Mourão e Dourados contaram com uma palestra sobre clima com Rodolfo Almeida Pereira, especialista em Agrometeorologia da Picsel

Encontros nas Fazendas Experimentais em Campo Mourão e Dourados contaram com uma palestra sobre clima com Rodolfo Almeida Pereira, especialista em Agrometeorologia da Picsel

tecnologia


Equipe técnica da Coamo e pesquisadores responsáveis pela elaboração e apresentação dos temas nas estações de pesquisa da Fazenda Experimental em Dourados

Equipe técnica da Coamo e pesquisadores responsáveis pela elaboração e apresentação dos temas nas estações de pesquisa da Fazenda Experimental em Dourados

Manejo de forrageiras para pastejo: fundamentos para alta eficiência

O aumento de produtividade na pecuária passa, necessariamente, pelo manejo adequado das pastagens. O aproveitamento eficiente das forrageiras depende de fatores como oferta de alimento, taxa de lotação e definição correta dos momentos de entrada e saída dos animais. Quando esses elementos são conduzidos de forma equilibrada, é possível ampliar a produção de carne ou leite por área e melhorar o uso dos recursos disponíveis. Além dos ganhos produtivos, o conhecimento sobre o comportamento das forrageiras contribui para a manutenção da capacidade de rebrota e da longevidade das áreas de pastagem.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 177 milhões de hectares de pastagens ocupados por aproximadamente 240 milhões de bovinos, resultando em uma taxa média de lotação de 0,9 unidade animal por hectare. Desse total, cerca de 60% das áreas apresentam algum estágio de degradação, o equivalente a aproximadamente 109 milhões de hectares.

O médico veterinário da Coamo, Clécio Jorge Mangolin, destaca que existe um potencial para ampliar a produção pecuária sem a necessidade de abertura de novas áreas. "Temos potencial para triplicar a produção utilizando melhor as pastagens que já existem." Para Mangolin, parte dessas áreas reúne condições para recuperação e aumento da produtividade. "Muitas vezes existe uma oportunidade dentro da propriedade que ainda não está sendo explorada", comenta.

A definição da altura adequada de entrada e saída dos animais aparece como uma das bases para o bom aproveitamento das forrageiras, antecedendo inclusive a adoção de tecnologias como a adubação. Segundo Mangolin, a pastagem continua sendo a principal fonte de alimentação dos bovinos no país. Cerca de 80% da produção nacional de carne bovina está baseada em sistemas de pastejo, favorecidos pelas condições climáticas predominantes no Brasil.

Os trabalhos conduzidos ao longo dos últimos dois anos na Fazenda Experimental da Coamo em Dourados também permitiram avaliar a produção de massa, a resposta à adubação e a qualidade nutricional das forrageiras no Mato Grosso do Sul. "As análises bromatológicas mostraram aumento nos teores de proteína e maior produção de matéria seca nas áreas adubadas", comenta Mangolin.

Grupo de cooperados e técnicos acompanha demonstração em lavoura de milho na Fazenda Experimental

EQUIPE TÉCNICA

Clécio Jorge Mangolin (Campo Mourão), Adriano Fernandes Raposo (Dourados), Victor Sesnik Storte (Amambai), Bruno Vinicius Pereira Fornari (Campo Mourão), Rodolfo Rando (São Gabriel do Oeste) e Daniel Scremin Carneiro (Campo Mourão)

O cooperado, Fernando Curvo Santos, de Bandeirantes, relaciona os resultados econômicos da atividade diretamente ao manejo das pastagens. "A diferença financeira gerada pelo ganho de peso animal e pelo manejo correto é muito grande." Ele conta que há cerca de três anos, a propriedade iniciou um processo de recuperação de áreas degradadas com foco na melhoria dos solos e na futura implantação da agricultura.

Além do aumento no faturamento, Santos relata avanços em indicadores zootécnicos do rebanho. "Observamos melhorias na taxa de prenhez e na reconcepção das primíparas." Entre os pontos que pretende reforçar estão o acompanhamento das alturas de entrada e saída dos animais, o equilíbrio nutricional do solo e o aperfeiçoamento das atividades conduzidas pelas equipes de campo.

O cooperado também destaca a necessidade de investimentos em infraestrutura, especialmente em cercas, sistemas de distribuição de água e manejo dos bebedouros. "São ajustes que podem trazer ganhos para o sistema. Estamos tratando o capim como uma lavoura e trabalhando para recuperar a fazenda. No futuro, a intenção é avançar na integração lavoura-pecuária", afirma.

Fernando Curvo Santos com a esposa Túlia, de Bandeirantes

Fernando Curvo Santos com a esposa Túlia, de Bandeirantes

tecnologia


Equipe técnica da Coamo demonstra abertura de trincheira para avaliação de infiltração de água no solo

EQUIPE TÉCNICA

José Vinicios Zanzi (Dourados), José Eduardo Frandsen Filho (Maracaju), Augusto Roberto Dias Barbosa (Maracaju) e Roberto Bueno Silva (Campo Mourão)

Pesquisadores: Henrique Debiasi (Embrapa Soja) e Esmael Lopes dos Santos (Embrapa Soja)

Manejo da água no solo: maximizando o aproveitamento hídrico e a resiliência produtiva

Em um cenário de variabilidade climática, a capacidade do solo de infiltrar e armazenar água tornou-se um dos fatores mais importantes para a estabilidade das lavouras. Práticas como manutenção da cobertura vegetal, aumento da matéria orgânica e redução da compactação contribuem para melhorar o aproveitamento das chuvas e ampliar a disponibilidade hídrica às plantas. Um solo estruturado funciona como uma reserva estratégica durante períodos de estiagem, reduzindo perdas e favorecendo o desenvolvimento das culturas. O manejo adequado da água no perfil tem impacto direto na produtividade e na sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

O engenheiro agrônomo da Coamo, José Vinícius Santos Zanzi, destaca que diferentes estratégias de manejo podem contribuir para que a água das chuvas permaneça por mais tempo no sistema produtivo. "Estamos vivendo períodos de chuvas irregulares, veranicos mais prolongados e eventos de precipitação intensa. O desafio é aumentar a eficiência do uso da água e reduzir as perdas para garantir mais disponibilidade às plantas", afirma.

Entre as práticas que favorecem a infiltração e o armazenamento de água no perfil do solo estão a semeadura em nível, a manutenção da cobertura vegetal, a rotação de culturas, o terraceamento e a utilização de sistemas que ampliem a produção de raízes e de matéria orgânica. Segundo Zanzi, a combinação dessas estratégias melhora a estrutura física do solo e aumenta a capacidade de armazenar água. "Quando trabalhamos com diferentes culturas e mantemos cobertura permanente, conseguimos formar uma espécie de reservatório natural que disponibiliza água por mais tempo para as plantas", explica.

A rotação de culturas figura entre as principais ferramentas para alcançar esse objetivo. O uso de diferentes espécies ao longo dos ciclos produtivos contribui para diversificar os sistemas radiculares, elevar os teores de matéria orgânica e melhorar a agregação das partículas do solo. Nesse contexto, sistemas envolvendo milho e braquiária também ampliam a produção de palha e favorecem a infiltração da água.

A identificação de perdas dentro das propriedades é outro aspecto importante. De acordo com Zanzi, a erosão laminar é um dos sinais mais evidentes de que a água não está sendo aproveitada adequadamente. "O cooperado consegue observar quando a água escorre pela superfície. Essa água que não infiltrou leva junto nutrientes, matéria orgânica e parte da palhada que protege o solo", comenta.

Resultados de um trabalho conduzido pela Coamo em parceria com a Embrapa Soja mostram que parte significativa dos fertilizantes aplicados pode ser carregada pela enxurrada quando o solo não apresenta condições adequadas de infiltração. O estudo avaliou perdas de nutrientes durante eventos de chuva intensa e demonstrou os impactos da erosão sobre a eficiência dos investimentos realizados na lavoura. "Quando ocorre erosão, o cooperado perde fertilizantes, matéria orgânica e reduz a eficiência dos investimentos realizados na área", destaca Zanzi.

Avaliações realizadas com simulador de chuva permitiram aos cooperados comparar diferentes sistemas de produção e o comportamento da água em cada situação. Segundo o pesquisador da Embrapa Soja, Henrique Debiasi, a diversificação dos sistemas agrícolas tem papel decisivo na infiltração e no armazenamento de água. "Quando aumentamos a cobertura do solo e melhoramos a estrutura por meio das raízes das plantas, a infiltração cresce e as perdas por escoamento superficial diminuem significativamente", explica.

Os resultados mostram que áreas conduzidas com semeadura em nível, elevada cobertura de palha e mais diversidade de culturas apresentam menor perda de água durante eventos de chuva intensa. Em contrapartida, sistemas baseados exclusivamente na sucessão soja e milho, com menor cobertura vegetal e estrutura física menos favorável, registram maiores índices de escoamento superficial.

De acordo com Debiasi, em situações de semeadura realizada no sentido da declividade, as perdas podem alcançar metade do volume precipitado. "Em uma chuva de dez milímetros, cinco podem infiltrar e cinco podem escorrer pela superfície. Essa diferença faz muita falta durante períodos de estiagem", observa. O pesquisador ressalta que os prejuízos nem sempre são perceptíveis visualmente. "Mesmo sem a formação de sulcos de erosão, pode estar ocorrendo perda de água e nutrientes que impactam diretamente a produtividade."

Henrique Debiasi, da Embrapa Soja

Henrique Debiasi, da Embrapa Soja

tecnologia


Estratégias para rentabilidade e mitigação de riscos no milho segunda safra

Cooperados acompanham palestra sobre milho segunda safra em tenda na Fazenda Experimental

EQUIPE TÉCNICA

Wagner Henrique de Borba Bini (Amambai), Vinicius Francisco Albarello (Campo Mourão), Marcio Rech (Ponta Porã) e Rafael Mattei de Andrade (Bandeirantes)

Pesquisador: Caio Sippel Dorr (Bayer)

Definir corretamente a época de semeadura do milho segunda safra influencia diretamente o potencial produtivo e a exposição da lavoura aos riscos climáticos. O posicionamento da cultura dentro de uma janela mais favorável permite melhor aproveitamento da temperatura, radiação solar e disponibilidade de água. Plantios realizados mais tarde aumentam a vulnerabilidade a geadas, déficits hídricos e problemas fitossanitários. Nesse contexto, o planejamento antecipado e a adoção de alternativas de manejo tornam-se ferramentas importantes para aumentar a segurança e a rentabilidade do sistema produtivo.

O engenheiro-agrônomo da Coamo, Wagner Henrique de Borba Bini, destaca que existem alternativas para aumentar a segurança econômica da atividade, especialmente nas semeaduras realizadas fora da janela mais favorável. "As estratégias permitem melhorar a rentabilidade do cooperado e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos associados às condições climáticas e fitossanitárias."

Segundo ele, uma parcela significativa das áreas de milho segunda safra no Mato Grosso do Sul ainda é implantada durante o mês de março, período historicamente mais sujeito a problemas relacionados à disponibilidade hídrica, redução da radiação solar, ocorrência de doenças, aumento da população de cigarrinhas e incidência de acamamento. "Essa é uma janela que concentra diversos riscos e que tem apresentado médias de produtividade inferiores quando comparada aos plantios realizados mais cedo", explica Bini.

A recomendação é concentrar o plantio até o início de março, respeitando as condições climáticas e o zoneamento agrícola. Para áreas que não conseguem receber o milho dentro do período considerado ideal, o uso de plantas de cobertura surge como alternativa para reduzir riscos e fortalecer o sistema produtivo. Pesquisas conduzidas pela Coamo em Campo Mourão e Dourados demonstram benefícios relacionados ao uso de braquiárias, crotalárias e misturas de plantas de cobertura.

Além da proteção do solo, essas espécies contribuem para a formação de palhada, aumento da atividade biológica, descompactação do solo, ciclagem de nutrientes e manejo de nematoides. "Essas plantas exercem diferentes funções dentro do sistema e podem contribuir para a rentabilidade da propriedade ao longo do tempo", afirma Bini.

O líder técnico de milho para Mato Grosso do Sul da Bayer, Caio Sippel Dorr, ressalta que a definição da janela de semeadura é uma das decisões mais importantes para o sucesso da cultura, pois cada período de plantio apresenta características próprias relacionadas ao clima, à pressão de pragas e ao comportamento dos híbridos. "Precisamos olhar de forma diferente para cada janela de semeadura e construir estratégias específicas para cada situação", explica.

Caio Sippel Dorr, da Bayer

Caio Sippel Dorr, da Bayer

Segundo Dorr, a produtividade do milho depende tanto das condições climáticas quanto do manejo adotado na lavoura. Embora o clima não possa ser controlado, a escolha correta da época de plantio e dos híbridos reduz parte dos riscos envolvidos na atividade.

Entre os problemas que tendem a se intensificar nas áreas implantadas mais tarde estão o complexo de enfezamentos, a mancha-branca e outras doenças foliares. Para essas situações, a recomendação é utilizar híbridos de ciclo mais precoce, com maior tolerância aos enfezamentos e características que favoreçam a estabilidade produtiva. "O produtor precisa adequar o híbrido à realidade da janela em que está plantando", comenta.

Cooperado Kawê Beloto Santini, de Caarapó

Cooperado Kawê Beloto Santini, de Caarapó

O cooperado Kawê Beloto Santini, de Caarapó, destaca que o planejamento de longo prazo e a adoção de práticas adequadas são fundamentais para aumentar a segurança do sistema produtivo. "As estratégias ajudam o produtor a reduzir riscos e melhorar a rentabilidade da atividade", destaca.

Segundo ele, a definição correta da época de semeadura auxilia no planejamento das próximas safras. "Os dados mostram claramente que o atraso na semeadura reduz o potencial produtivo e compromete a rentabilidade. Em algumas situações, pode ser mais vantajoso investir em uma boa cobertura de solo do que insistir em uma lavoura de milho implantada fora da janela mais adequada", observa.

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Gestão da fertilidade no sistema soja-milho: do balanço nutricional à recomendação

A manutenção da fertilidade do solo exige planejamento contínuo e uma visão integrada das culturas que compõem o sistema de produção. No caso da sucessão soja-milho, o acompanhamento dos nutrientes removidos pelas lavouras e a reposição adequada desses elementos são fundamentais para sustentar a produtividade ao longo dos anos. Ferramentas como análise de solo, balanço nutricional e interpretação dos indicadores químicos permitem definir estratégias mais precisas de correção e adubação, aumentando a eficiência no uso dos fertilizantes e o aproveitamento do potencial produtivo das áreas.

O engenheiro-agrônomo da Coamo, Flávio Emilio Pizzigati, destaca a necessidade de um planejamento nutricional mais preciso para sustentar a produtividade das lavouras. Segundo ele, o primeiro passo é realizar uma amostragem de solo representativa, seguida por análises confiáveis e correta interpretação dos resultados.

Essas informações servem de base para definir as estratégias de correção e adubação de acordo com as características de cada área e as metas de produtividade do cooperado. "O planejamento precisa considerar o que a planta extrai do solo e aquilo que está sendo reposto por meio dos fertilizantes."

Entre os principais indicadores utilizados estão o pH, a saturação por bases e os níveis de fósforo, potássio, cálcio e magnésio. Pizzigati lembra que a textura do solo também deve ser considerada, já que áreas arenosas e argilosas apresentam comportamentos distintos em relação ao armazenamento e à disponibilidade de nutrientes.

EQUIPE TÉCNICA

Flávio Emilio Pizzigatti (Dourados), Fabricio Bueno Corrêa (Campo Mourão), Hugo Lorran de Melo Rocha (São Gabriel do Oeste) e Gabriela Bernava Moralis (Laguna Carapã)

Pesquisador: Marcelo Batista (UEM)

Cooperados e técnicos da Coamo em estação de pesquisa sobre fertilidade do solo no sistema soja-milho

Além dos macronutrientes, os micronutrientes exercem papel importante no desempenho das culturas. "Muitas vezes o fator limitante da produtividade não está nos macronutrientes, mas em algum micronutriente que não está sendo monitorado adequadamente", comenta.

Outro desafio é realizar adubações voltadas apenas à soja, sem considerar as exigências do milho cultivado na sequência. "Não adianta atender apenas a necessidade da soja e deixar de fornecer nutrientes importantes para o milho, como fósforo e potássio, focando exclusivamente na adubação nitrogenada", pondera.

Marcelo Augusto Batista, da UEM

Marcelo Augusto Batista, da UEM

O pesquisador da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Marcelo Augusto Batista, reforça que a fertilidade do solo deve ser encarada como um sistema de gestão contínua. Ele compara o controle nutricional a um balanço financeiro. "Assim como uma empresa controla quanto entra e quanto sai de dinheiro, o produtor precisa acompanhar quanto está adicionando e quanto está exportando em nutrientes."

Segundo Batista, a análise de solo é uma das principais ferramentas para identificar a disponibilidade de nutrientes, definir metas de correção e estabelecer recomendações compatíveis com os objetivos de produtividade. Ele ressalta que a ausência de critérios técnicos pode comprometer a safra atual e as seguintes. "Muitas vezes o produtor deixa de aplicar determinados nutrientes por uma decisão momentânea e acaba utilizando reservas do solo sem perceber os impactos que isso pode gerar nas próximas safras", observa.

Cooperado Rafael Souza Cassol, de Laguna Carapã

Cooperado Rafael Souza Cassol, de Laguna Carapã

O pesquisador destaca ainda a importância dos macronutrientes secundários e dos micronutrientes para manter os níveis produtivos. "Existe atualmente uma omissão relativamente frequente de nutrientes como enxofre, boro e zinco em muitos sistemas de produção."

Para Batista, a fertilidade deve ser analisada dentro do sistema produtivo. As decisões tomadas na soja influenciam diretamente o milho cultivado na sequência, assim como o manejo do milho interfere na safra seguinte de soja. "O sistema deve ser visto como um conjunto. O manejo de uma cultura interfere na outra e isso precisa ser considerado durante o planejamento", explica.

O cooperado Rafael Souza Cassol, de Laguna Carapã, revela que já acompanha a fertilidade das áreas, mas considera importante buscar novos conhecimentos e avaliar alternativas de manejo. "A gente precisa acompanhar aquilo que cada cultura retira para conseguir repor os nutrientes e manter a produtividade", comenta.

Segundo ele, o planejamento das culturas de verão e inverno deve ser integrado, considerando fatores como época de plantio, ciclo das lavouras e riscos climáticos. "Tudo precisa ser programado para que uma cultura complemente a outra e para que o sistema funcione da melhor forma possível."

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Cooperados e técnicos observam demonstração de manejo de plantas daninhas em lavoura na Fazenda Experimental

EQUIPE TÉCNICA

Elvison Alvez da Cruz (Itaporã), Itamar Leandro Suss (Campo Mourão), José Juracy Neto (Caarapó), Vinicius Ferreira dos Santos (Laguna Carapã) e Elton Franco Ventura (Rio Brilhante)

Pesquisador: Fernando Adegas (Embrapa Soja)

Manejo de plantas daninhas no período de outono-inverno

O período de outono-inverno oferece oportunidades importantes para reduzir a infestação de plantas daninhas e diminuir a pressão dessas espécies sobre as culturas seguintes. Embora temperaturas mais baixas possam limitar o desenvolvimento de parte das invasoras, algumas espécies encontram condições favoráveis para se estabelecer nesse período. Por isso, compreender o comportamento dessas plantas e adotar medidas antecipadas de controle contribui para aumentar a eficiência do manejo. O uso de culturas de cobertura, a diversificação dos sistemas produtivos e o controle planejado podem reduzir custos e facilitar as operações nas safras subsequentes.

De acordo com o engenheiro-agrônomo da Coamo, Elvison Alves da Cruz, o tema tem ganhado relevância diante do aumento dos desafios relacionados ao controle dessas espécies. "Quando se fala em desafios da agricultura, o clima aparece em primeiro lugar e o manejo de plantas daninhas já está entre as principais preocupações", observa.

Entre as espécies que exigem mais atenção dos cooperados estão o capim-maçambará, capim-pé-de-galinha, picão-preto, caruru, capim-amargoso e buva. Segundo Cruz, algumas delas apresentam elevada capacidade de adaptação e reprodução, tornando o manejo mais complexo quando o controle não é realizado de forma antecipada. "Quando conseguimos antecipar o manejo, os resultados são melhores do que aqueles obtidos apenas durante o verão", explica.

A rotação de mecanismos de ação dos herbicidas e a utilização de diferentes ferramentas de manejo são apontadas como estratégias para aumentar a eficiência do controle. "Se continuarmos fazendo sempre a mesma coisa, dificilmente teremos resultados diferentes", observa Cruz.

O uso de herbicidas pré-emergentes, a rotação de produtos e a adoção de culturas de cobertura também contribuem para reduzir a pressão das plantas daninhas ao longo do tempo. Nesse contexto, a integração lavoura-pecuária e os sistemas consorciados têm ganhado espaço nas propriedades da região.

Segundo o agrônomo, o cultivo de milho com braquiária traz benefícios relacionados à cobertura do solo e à sustentabilidade do sistema produtivo. Entretanto, a adoção dessa estratégia exige planejamento e conhecimento do histórico de cada área. "É preciso conhecer o talhão e avaliar as condições antes de definir o manejo mais adequado", afirma.

Fernando Adegas, da Embrapa Soja

Fernando Adegas, da Embrapa Soja

O pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Storniolo Adegas, ressalta que um dos erros mais comuns é associar o problema das plantas daninhas apenas à cultura da soja, quando muitas espécies permanecem presentes durante todo o ano na propriedade. "O manejo realizado no milho ou após sua colheita é extremamente importante para reduzir os problemas que serão enfrentados na próxima safra."

Segundo Adegas, o manejo pode ser realizado durante o desenvolvimento do milho segunda safra e também após sua colheita, utilizando herbicidas e outras práticas para impedir a emergência de novas plantas. O pesquisador destaca a importância de compreender os períodos de germinação e desenvolvimento das espécies presentes na área. Conhecer essa dinâmica permite definir estratégias mais eficientes de controle. Para Adegas, o planejamento deve considerar o sistema produtivo como um todo, integrando as culturas de verão e inverno. "Hoje não existe mais separação entre uma safra e outra. As decisões tomadas em uma cultura influenciam diretamente a seguinte", observa.

Cooperado Aldecir Pedro Baggio, de São Gabriel do Oeste

Cooperado Aldecir Pedro Baggio, de São Gabriel do Oeste

O cooperado Aldecir Pedro Baggio, de São Gabriel do Oeste, relata que o principal desafio em sua propriedade está relacionado ao capim-pé-de-galinha. "A buva nós conseguimos controlar melhor, mas o pé-de-galinha continua sendo um problema porque produz muita semente." Baggio conta que utiliza produtos recomendados para controlar a espécie e considera importante incorporar novas estratégias ao manejo. "Vamos colocar em prática algumas das recomendações para melhorar esse controle", comenta.

O cooperado cultiva soja e milho em sucessão e destina parte da propriedade ao cultivo de sorgo sobre palhada de braquiária. Segundo ele, a utilização da braquiária tem proporcionado benefícios ao sistema produtivo. "Nas áreas onde utilizamos braquiária observamos aumento de produtividade na soja em comparação com outras áreas." Baggio explica que a rotação de culturas faz parte do planejamento da propriedade e considera a prática importante para a condução das lavouras ao longo dos ciclos produtivos.

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