Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 565 | Fevereiro de 2026 | Campo Mourão - Paraná

ENTREVISTA

CLAUDIO FRANCISCO BIANCHI RIZZATTO

Vice-presidente do Conselho de Administração da Coamo


"Com a Coamo veio a assistência técnica, o desenvolvimento agronômico e sustentável, e a melhoria da qualidade de vida dos cooperados"


C

om uma trajetória que se confunde com a própria história da Coamo, o engenheiro agrônomo Claudio Francisco Bianchi Rizzatto relembra sua chegada a Campo Mourão, em 1974, os primeiros passos no cooperativismo e as transformações vividas pela cooperativa e pelos produtores ao longo de mais de cinco décadas.

Gaúcho de Jaguari, formado pela Universidade Federal de Santa Maria, Rizzatto acompanhou de perto a implantação da assistência técnica, a organização dos cooperados, a expansão das áreas de atuação e a consolidação da comunicação com o quadro social.

Nesta entrevista à Revista Coamo, ele relata passagens marcantes da sua carreira, destaca decisões estratégicas que impulsionaram o desenvolvimento agronômico e sustentável e analisa como a cooperativa contribuiu para a evolução produtiva, econômica e social das famílias associadas.

Revista Coamo: Como foi sua história na Coamo, desde a sua chegada em 1974 em Campo Mourão?
Claudio Francisco Bianchi Rizzatto: Eu sou gaúcho de Jaguari, onde conclui o curso primário. Fiz Colégio Agrícola na Universidade Santa Maria, onde depois prestei vestibular para agronomia e me graduei na turma de 1973. Formando, saí do Rio Grande do Sul e vim para Curitiba e fiz um concurso e fui aprovado para trabalhar na Acarpa empresa de extensão rural. Lá estudei cooperativismo e fui escolhido para trabalhar em Curitiba, mas não era o que eu queria, pois queria vir para o interior. Então, fiz uma troca com um colega para trabalhar em Campo Mourão. Não conhecia Campo Mourão, e nem lavouras de café e algodão, e alguns falavam: "Você está louco Claudio, trocar a capital pelo interior? Mas aceitei o desafio e cheguei em Campo Mourão em março de 1974 e fiquei impressionado com as condições da cidade. Comecei a trabalhar na área de cooperativismo em um convênio firmado entre Coamo e Acarpa, e no segundo semestre 1974 criamos os comitês educativos da Coamo em comunidades tradicionais como Ivailândia, Campina do Amoral, Peabiru, Luiziana e Farol. Em 1975, realizamos as primeiras reuniões com os cooperados.

RC: A entrada na Coamo mudou a vida do senhor?
Rizzatto: Foi muito bacana, atendi o convite do então gerente na época, Dr. Aroldo, e fui admitido como funcionário em 1 de fevereiro de 1975, e minha vida mudou. Fui o quarto agrônomo a entrar na cooperativa, e atuei na área técnica dos serviços de assistência técnica, crédito rural e repasse, daí fui convidado e aceitei o convite para assumir a gerência de insumos, que era responsável por compra, venda e distribuição de insumos. Na época, com visão de futuro, a diretoria resolveu criar a superintendência técnica e o meu nome foi escolhido em 1978. Fiquei nesse cargo até janeiro de 2008, quando em fevereiro na Assembleia Geral assumi como vice-presidente, após aposentadoria do seu Sérgio Luiz Panceri, que foi secretário e vice-presidente durante 33 anos na diretoria. Aceitei esses convites com satisfação sabendo que teríamos os grandes desafios e conquistas pela frente. Graças a Deus e a muito trabalho e determinação, suplantamos desafios e comemoramos muitas conquistas.

Retrato de Claudio Francisco Bianchi Rizzatto

Engenheiro agrônomo formado em 1973 na Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Chegou em Campo Mourão no ano de 1974 para atuar como extensionista na Acarpa, que depois mudou o nome para Emater. Foi admitido na Coamo em fevereiro de 1975, sendo o quarto agrônomo na cooperativa. Foi criador e editor do primeiro jornal impresso da cooperativa e gerente de Insumos. Posteriormente, em 1978, assumiu como superintendente Técnico até 2008, quando com a aposentadoria do vice-presidente Sérgio Luiz Panceri, aceitou como cooperado convite do Dr. Aroldo para ser eleito como vice-presidente do Conselho de Administração na Assembleia Geral Ordinária, em fevereiro de 2008, cargo que ocupa atualmente. Integrou e participou ativamente de várias diretorias da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão, tendo sido presidente na 11ª diretoria na gestão 1993/1995.

RC: Cite um fato que o senhor participou e foi muito importante?
Rizzatto: Lembro com satisfação de uma viagem que fizemos para Brasília visando obter o credenciamento junto ao Banco Central do Brasil (Bacen) para operar com crédito rural, e a Coamo foi a primeira cooperativa do país a conseguir essa conquista. Outro destaque foi o que a Coamo propiciou para o desenvolvimento do agricultor. A transformação que eles tiveram nessas mais de cinco décadas foi algo incrível. A Coamo chegou em regiões que estavam muito atrasadas, aonde não chegava assistência técnica. E isso a Coamo fez e muito bem, sendo um exemplo para todo o país, com o investimento e desenvolvimento da área técnica. Junto com o desenvolvimento agronômico, veio o desenvolvimento sustentável, que melhorou a qualidade de vida do produtor.

RC: O senhor teve uma participação direta na primeira publicação impressa aos cooperados, na época, como assessor de Cooperativismo no convênio Coamo/Acarpa foi o primeiro editor. Conte um pouco sobre isso
Rizzatto: Precisávamos nos comunicar com os cooperados, por isso, tivemos a ideia de um jornal (Informativo Coamo) para mostrar a cooperativa. Eu tirava fotos, escrevia e diagramava a edição, depois levava à gráfica, que fazia tudo, letrinha por letrinha no sistema de tipografia onde a composição das páginas era manual. As fotos, por exemplo, eram no sistema clichê. A gráfica imprimia uma provinha para revisão e quando o gráfico errava, eu corrigia e ele tinha que imprimir de novo. Foi um bom início e em agosto de 1975, com a edição número 10, o informativo mudou de nome, para Jornal Coamo.

"A COAMO CHEGOU A REGIÕES ONDE NÃO EXISTIA ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONTRIBUIU DIRETAMENTE PARA ORGANIZAR A PRODUÇÃO E O COOPERADO."

RC: O senhor lembra das primeiras matérias da edição histórica em novembro de 1974?
Rizzatto: Sim, foi em novembro de 1974, quando circulou pela primeira vez o Informativo Coamo, que foi o início da comunicação impressa da cooperativa. Escrevemos que o nome não importava, mas, sim a mensagem que chegaria até os produtores, e que o impresso seria o elo entre a Coamo e os cooperados. Lembro que a capa da primeira edição apresentou uma foto aérea de armazéns da cooperativa, uma matéria contendo informações da comercialização da soja safra 1974/75, o balancete das contas encerradas em 30 de setembro de 1974, algumas dicas da cultura da soja e uma matéria sobre o título de Cidadão Honorário ao então presidente da Coamo, Fioravante João Ferri, por ocasião do 27º aniversário de Campo Mourão.

Claudio Francisco Bianchi Rizzatto recebe homenagem pelos serviços prestados à cooperativa

Claudio Francisco Bianchi Rizzatto recebeu homenagem pelos serviços prestados à cooperativa

RC: Qual a importância da comunicação e do relacionamento direto da diretoria com os cooperados e a comunidade?
Rizzatto: Passados 51 anos da primeira edição impressa e quase 50 anos da veiculação do primeiro programa de rádio que estreou em 1978, penso que a comunicação e o relacionamento são muito importantes e um grande desafio a cada dia, diante da tecnologia, redes sociais e diversas plataformas, onde tudo é muito veloz, e temos que tomar cuidado com o que não é verdadeiro. A Coamo vem mantendo e cumprindo o seu objetivo como elo entre a cooperativa e os cooperados. Nesse sentido evoluiu e vem evoluindo, se adequando a modernidade mostrando boas histórias e exemplos, e assuntos de interesse dos cooperados. Então desta maneira, eles ficam por dentro do que acontece na Coamo e no agronegócio, com confiança, transparência e qualidade.

RC: Como analisa os avanços dos produtores associados da Coamo com o apoio da cooperativa?
Rizzatto: Como melhorou a produção, tecnologia e a qualidade de vida do produtor. Isso não tem preço, e dentro disso existe uma empresa que começou pequenininha lá no início dos anos 1970 e passados 55 anos a gente vê produtores colhendo muito mais do que 200 sacas de soja por alqueire, bem diferente das 60, 70 sacas há mais de cinco décadas. Me orgulha ver que a Coamo cresceu e se transformou na maior empresa do Paraná, e o que mais me emociona é que essa mesma Coamo hoje é do tamanho que ela é e continua com aqueles mesmos princípios e valores do início, de quando tinha 300 associados, quando eu cheguei em 1974. Os cooperados continuam sendo tratados pelo nome e não como um número, não importando a área de terra, se pequeno, médio ou grande produtor.

RC: Qual o sentimento de ter vivido e testemunhado essa transformação?
Rizzatto: É um grande orgulho e felicidade, porque quando cheguei como extensionista e engenheiro agrônomo para trabalhar na Coamo ela tinha apenas quatro anos (em 1974) e então tenho mais de 50 anos de Coamo. É um orgulho muito grande, porque eu vi, presenciei e participei de todo esse desenvolvimento, de toda a cadeira produtiva, é muito bom e significativo o que ela propiciou no desenvolvimento de várias gerações de agricultores que cresceram com a Coamo nesses 55 anos. Nesse ciclo destaco também o grande trabalho e suporte de todos os funcionários para atender e muito bem milhares de cooperados e participarem dessa transformação para uma agricultura sustentável, exemplo para o país.

A Coamo sempre foi muito bem administrada, capitalizada e nunca teve qualquer tipo de crises, mas sempre teve bons resultados, atendendo todos os cooperados com respeito e valorização ao ser humano. Por isso, falo com orgulho, emoção e felicidade, que tudo deu certo e todo dia é dia de Coamo, a Coamo é todo dia na vida da gente.

"Ao longo de mais de cinco décadas, acompanhei de perto a transformação tecnológica, produtiva e social vivida pelos agricultores associados."

RC: Então, a confiança também faz toda a diferença na relação com os produtores?
Rizzatto: Sem dúvida, temos inúmeros exemplos de avanços de como os cooperados da Coamo evoluíram como pessoas e empreendedores rurais buscando o máximo de tecnologia e com foco no gerenciamento das atividades com o apoio da Coamo por meio da assistência técnica e de diversos programas voltados para toda a família cooperativista. Mas desde o início a visão do Dr. Aroldo e o modo, o jeito com que trata e trabalha com os cooperados é elogiável e incomparável, pois a confiança é tudo, e é um valor inegociável, ou seja, a Coamo é forte porque a harmonia e o relacionamento entre cooperados e diretoria é muito forte e sólido, e exemplo para o cooperativismo e área empresarial do país.

RC: Qual é o futuro da Coamo e sua mensagem aos leitores?
Rizzatto: A Coamo tem ética, honestidade de princípios, essência e transparência, sempre com muita segurança, responsabilidade e solidez, focada no cooperado com muita qualidade e inovação. Então, a Coamo assim como o agronegócio não pode parar, e ela está crescendo de forma organizada e tem muito mais para crescer. É uma cooperativa, uma empresa construída sob a liderança do nosso grande líder Dr. Aroldo, para uma vida inteira, para várias gerações. Isso é uma grande coisa e nos orgulha, porque completamos os 55 anos da cooperativa com uma governança muito bem estruturada e conduzida, aceita com confiança pelos cooperados e é elogiada pelos clientes, parceiros e comunidade. A Coamo é infinita e não tem limite, pois a Coamo vai ser cada vez melhor, como empresa inovadora e admirada, sem perder sua essência, visando colher produtividades satisfatórias, obter renda e praticar uma agricultura sustentável.

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